10 editoras vendem um terço dos eBooks em português; concentração prejudica consumidores (atualizada)

Eduardo Melo - Simplíssimo Notícias 2 Comments

Quando olhamos com atenção para os volumes publicados por cada editora brasileira, encontramos dois padrões distintos. De um lado, há um pequeno grupo de editoras que incorporou o eBook, definitivamente, aos seus negócios. De outro, um vasto contingente de editoras que só agora começaram a explorar o novo produto.

Quase 300 editoras brasileiras oferecem, juntas, cerca de 11 dos 16 mil eBooks em português disponíveis atualmente, ou 70% dos eBooks. Os 30% restantes são títulos de domínio público (15%) e os outros 15%, autores auto-publicados.

As dez editoras com mais eBooks publicados oferecem 50% de tudo o que as editoras já publicaram como livro digital no Brasil. Entre elas, a Editora Saraiva, Elsevier, Zahar, Baraúna, Companhia das Letras, Grupo A, L&PM, Record, Lumen Juris e IESDE Brasil. No âmbito geral, estas 10 editoras oferecem 1/3 dos eBooks em português.

Chegam a quase trinta o número de editoras que oferecem mais que cem eBooks para venda – e juntas, elas representam mais de 60% dos eBooks publicados por editoras. Outro grupo de editoras, quase uma centena delas, oferece entre 15 e 99 eBooks, concentrando cerca de 30% dos eBooks publicados por editoras. Este segmento delimita a “fronteira” da adesão aos eBooks.

Para outras editoras, mais de 150 delas, a realidade é exatamente oposta. Este grande contingente oferece menos que 15 eBooks nas livrarias – somados, os eBooks destas editoras são menos de 750, ou 6~7% do total disponível. Quase uma centena destas editoras, oferece menos que 5 eBooks. Existe ainda um longo caminho para várias editoras, pequenas e médias, aderirem ao formato digital.

A boa notícia destes números, é perceber que as grandes editoras já não estão completamente sozinhas no mercado. Grandes grupos editoriais estão ombro a ombro com editoras bem menores. Apesar disso, fica evidente que muitas editoras só agora começam a experimentar o livro digital, e um sem-número de outras editoras sequer estrearam.

A má notícia desses números atuais – ao menos, para os consumidores – é que essa concentração de títulos entre poucas editoras ainda é grande, e prejudicial, pela falta de concorrência que ocasiona. Menos concorrência implica preços mais altos na hora da compra. O mais recente exemplo disso está no lançamento do eBook sobre a morte de Bin Laden, Não há dia fácil, lançado no Brasil pela Editora Paralelo (Companhia das Letras-Penguin). A versão digital custará R$ 29,90, 10% menos que versão impressa, R$ 34,90, conforme publicado no perfil da editora no Facebook. Nos EUA, o mesmo eBook será vendido por US$ 9,99 (R$ 20) na Amazon e US$ 12,99 (R$ 25) na B&N, enquanto a versão impressa (em capa dura) custará US$ 16,99 (R$ 34). Ou seja, quem adqurir a versão digital brasileira, pagará entre 18% e 30% a mais.

Logo após publicarmos o post, recebi um aviso do Fabio Uehara, da Companhia das Letras, informando que o valor exibido no Facebook estava incorreto e foi corrigido – para R$ 24,90, uma faixa de preço 30% menor que o valor impresso:

“Um esclarecimento

Sobre o post de hoje só gostaria de esclarecer que o preço do e-book do livro: Não há dia fácil, o valor correto é R$24,90. Que segue a política da editora dos preços terem 30% de diferença do exemplar impresso. Houve um engano na página do Facebook que já foi corrigido. Entrando em pré-venda este final de semana com o valor correto.
E estamos convertendo nosso catálogo de forma consistente e nossos lançamentos estão saindo em grande parte de forma simultânea em e-book.
Obrigado pela atenção
um abraço

Fabio”

A concorrência pode ser pequena no Brasil, mas não estaremos tão mal enquanto tivermos editoras, como a Companhia, comprometidas com o respeito aos leitores.

Há uma falta gritante de conteúdo digital, à espera de quem o forneça às livrarias e consumidores.  Se as editoras não fornecerem esse conteúdo, logo vai aparecer alguém para atender essa demanda e tomar o seu lugar. O bolso do consumidor digital, no Brasil, seguirá sangrando até existir concorrência de fato. A mera chegada da Amazon ao Brasil, por si só, não resolverá o problema. É preciso que mais editoras, ou outros fornecedores de conteúdo,  entrem na disputa pela preferência dos consumidores de livros digitais.

Segunda: Em 6 meses, catálogo de eBooks em português salta de 11 para 16 mil títulos
Terça: Amazon tem apenas 6 mil eBooks em português e segue atrás das livrarias brasileiras
Quarta: 20% dos eBooks da Amazon são domínio público, 352 apenas de Machado de Assis
Quinta: 10 editoras vendem um terço dos eBooks em português; concentração prejudica consumidores
Sexta: Conclusões: para onde caminhará o mercado nos próximos 6 meses

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Comments 2

  1. Considere-se como agravante que boa parte das editoras não passa de prestadores de serviço de produção do Ebook, sem grandes preocupações com qualidade do conteúdo. Prejuízo para o leitor.

  2. Seu gráfico pizza mostra que há 30 editoras grandes, 100 médias e 150 editoras pequenas. Portanto, a conclusão de que há falta de competição não faz sentido. Falta de conteúdo não significa falta de competição. Significa falta de autores. Aos autores estão disponíveis 280 editoras, o que caracteriza o oposto: excesso de oferta de serviços com baixa escala e eficiência em cada player. Se os autores não existem em número suficiente, o problema não é de falta de capacidade competitiva na indústria e sim falta de demanda pelos serviços deles.

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