6 coisas que você NÃO deve fazer para publicar seu livro

Eduardo MeloAtualizado em: Autores, Dicas 9 Comments

Jana Lauxen, do blog Homo Literatus, publicou uma lista com as 6 coisas que um autor não deve fazer para publicar seu livro. O texto completo vale a pena ser conferido (veja o link ao final do texto).

Aqui vai uma seleção dos melhores trechos:

1. Não faça propaganda toda santa semana nas redes sociais

Você é livre para publicar o que quiser em suas redes sociais, mas não tem o direito de invadir, uma vez por semana, as redes sociais alheias com links sobre seus projetos, seus textos, suas publicações. E isso inclui marcar pessoas no Facebook. Não existe nada mais desagradável do que postagens onde o autor marca 749 amigos, literalmente obrigando a geral a curtir e comentar o dito post.

2. Não fale sobre o que não sabe.

Tem um ditado que diz “É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota, do que falar e acabar com esta dúvida”. Isso vale para tudo e para todos, e vale para o novo autor também.

Uma vez, um escritor conhecido meu postou no Facebook uma mensagem que recebeu de uma determinada editora, com sua proposta de publicação. Esta proposta incluía a aquisição, por parte do autor, de um número X de exemplares. Pois o autor postou o e-mail na íntegra, citou o nome da editora, e logo abaixo publicou um pequeno texto, ridicularizando sua proposta e colocando em cheque sua credibilidade (“acha que eu sou palhaço de pagar essa fortuna para publicar, mimimi, blábláblá).

Uma postura infantil, dispensável e que certamente desqualifica este autor para publicar em qualquer editora – inclusive uma onde ele não precise pagar.

3. Cuidado com o peso do seu ego.

Muitos autores juram que são gênios, e nada pode ser pior do que isso.

Já vi autores entrarem em contato com editoras escrevendo besteiras do tipo “Em anexo encaminho o novo best seller brasileiro”, sendo que best-seller, Sr. Gênio da Literatura, se escreve com hífen.

Imagino esse cara chegando numa moça em uma festa e dizendo “Oi, você quer ter a sorte, a honra e a incrível oportunidade de ficar comigo?”.

4. Não subestime o trabalho alheio.

O novo autor tem mania de querer tudo (quase) de graça.

Reclama do investimento em revisão, do preço final do livro, dos custos envolvendo distribuição e divulgação, do lucro sobre a venda de cada exemplar.

Certa ocasião, um autor escreveu pra mim: “Tá difícil ser um novo autor sem dinheiro, né?”. Deu vontade de responder: “Olha, é difícil VIVER sem dinheiro, camarada”.

5. Saiba escrever.

Parece óbvio, e é.

Mas, mesmo assim, muitos autores não entendem.

Não foi nem um e nem dois autores que já me disseram que não revisam o que escrevem por que “são escritores, não revisores”. Risos. Olha, amigo, a revisão faz parte da produção literária, caso você não saiba. Escrever e não revisar é igual querer cozinhar sem acender o fogão (“sou cozinheiro, não acendedor de fogão”).

E, tirando raríssimas exceções, quem escreve um livro de 650 páginas geralmente mais encheu linguiça do que qualquer outra coisa.

6. Não exija o que não pode oferecer.

O autor quer ser lido, publicado, divulgado, comprado, idolatrado. Mas não quer fazer absolutamente nada para que isso aconteça.

Quer ser lido; mas escreve mal e errado (“sou escritor, não revisor”).

Quer ser divulgado; de graça, né? Por que, afinal, quem trabalha com marketing literário não precisa pagar aluguel e nem comer.

Continua querendo ser divulgado, agora pelos seus amigos do Facebook; mas nunca curte, compartilha, comenta, e muito menos divulga o trabalho destes mesmos amigos.

Editoras existem desde que o Brasil foi descoberto, mas somente na última década o mercado editorial se democratizou e se expandiu, permitindo que pessoas sem costas quentes nem padrinhos influentes também pudessem publicar, e vender, e se dizer escritores.

Contudo, esta democratização trouxe, igualmente, amadorismos e picaretagens, tanto por parte de muitas editoras, quanto por parte de muitos autores.

Se quisermos tornar nosso mercado editorial um mercado sério, que trabalhe em cima de qualidade, com comprometimento e competência, e que remunere adequadamente todos os profissionais envolvidos (incluindo o próprio escritor), precisamos, enquanto autores, também fazer a nossa parte.

O autor também precisa se profissionalizar e parar de tratar a literatura como uma brincadeira.

Confira o texto integral no blog Homo Literatus

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Sobre o autor

Eduardo Melo

Eduardo Melo é fundador da Simplíssimo e seu diretor-executivo desde 2010. É licenciado em História e Mestre em Teoria da Literatura.

Simplíssimo6 coisas que você NÃO deve fazer para publicar seu livro

Comments 9

  1. Concordo plenamente. Por coincidência do destino não fiz ou cheguei a ponto de fazer qualquer uma das coisas citadas acima e estou redondamente feliz de poder ter a certeza de que enviei, revisei e descartei as coisas certas para uma obra futuramente publicada( quem sabe). Obrigada!

  2. Concorde com tudo mais se o autor e a historia é boa mesmo tem que tratar ele com mais respeito. Porque as grandes editores fazem nada do que vc esta falando?

  3. Augusto Barros no 5 tem nada haver esse é uma satira. No meu caso eu falo 5 idiomas não sei escrever bem portugues por isso que deu tanto trabalho. Meu segundo livro escrevo em ingles e mando traduzir depois.bem mais rapido e melhor.

  4. Apenas para deixar minha contribuição: no item 3, os dicionários American Heritage e Oxford grafam a palavra “bestseller” junto; Já o site da Amazon.co.uk o apresenta separado. O mais correto seria seguir os dicionários, portanto “bestseller”. Mas… também existem muitos jornais que adotam “best-seller”, como o Dailymail.co.uk. Portanto: empate técnico… 🙂

  5. Realmente, falta um pouco de senso por parte desses autores, que muitas vezes nem sequer merecem ser chamados de “amadores”, pois estes anda têm a chance de aprender com os erros e progredir. Contudo, narcisistas à parte, eu tenho que admitir que o mercado editorial no Brasil é realmente dispendioso. É claro que o autor não deve barganhar, eu concordo que nada deve sair de graça, mas essa é uma realidade presente no Brasil, não só no meio editorial, mas no custo de vida. Pagamos muitos impostos, inclusive quando compramos, temos pouco retorno, somos proporcionalmente consumistas e tudo isso faz a situação complicar pra todo mundo. É como diz a famosa frase: “Não tá fácil pra ninguém”. O cara que te disse que tá difícil ser autor sem dinheiro não deixa de ter razão. Só que não é só ser autor que demanda dinheiro. Eu diria que ser brasileiro demanda dinheiro e para isso, deve-se “ralar” mesmo. Mas é bem melhor ser recompensado pelo esforço.

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