Até Bento XVI prefere o iBooks

Eduardo Melo Mercado 3 Comments

No domingo, Carlo Carrenho publicou um texto muito interessante, sobre o desconhecimento que paira sobre os apps de leitura de ebooks das grandes livrarias. O argumento principal é o seguinte:

Ler no iPad tem se tornado sinônimo de compra de e-books na iBookstore.

Com quase 14 milhões de smartphones ou tablets com sistemas iOS e Android [no Brasil], é realmente uma surpresa que as e-bookstores não promovam seus aplicativos para tais aparelhos.

De fato, é mesmo. Mas existe uma lógica. Com exceção da Saraiva, todas as empresas tem o seu próprio tablet ou sistema. Fazer propaganda do seu aplicativo para os tablets/sistemas da concorrência, é algo que entra no cálculo das empresas. Ninguém gosta de dar publicidade grátis para a Apple.

Além disso, se tenho um tablet ou smartphone ou iPhone, é certo que já tenho um cartão de crédito cadastrado na Apple ou no Google, para comprar aplicativos. O mesmo cadastro serve para comprar o ebook, com apenas um toque, nos aplicativos destas empresas. Porém, se eu quiser comprar um ebook na Kobo, ou na Amazon, terei que fazer um outro cadastro, criar outra senha… é uma barreira para o usuário trocar de plataforma de leitura.

Sobre as plataforma de leitura, os aplicativos em si, Carrenho nota outra questão importante:

Mais paradoxal ainda é que o aplicativo de leitura da Apple, o iBooks, é um dos mais limitados entre os que existem à disposição no ecossistema iOS. O aplicativo da Kobo, por exemplo, é totalmente integrado às mídias sociais, especialmente o Facebook, e ainda é possível (…)

Chegamos no ponto exato, quando “menos” se torna “mais”.

O iBooks da Apple, para um usuário avançado, até pode deixar a desejar na questão das configurações. Mas o que tem de simples, igualmente tem de prático. Ninguém perde tempo configurando o aplicativo, é só abrir o ebook e pronto. Mudar uma fonte ou acionar o índice é extramamente simples. Já o app da Kobo, por exemplo, é cheio de firulas, menus e notificações. Seus recursos avançados podem ser uma distração para a leitura, ou impor um grau de dificuldade maior do que o usuário se dispõe a encarar. E aí temos outra barreira.

Os usuários do iPad, habituados a comprar e baixar aplicativos num toque, sem ter que fazer novos cadastros, dificilmente irão procurar por outras alternativas. Se funciona, e não dá problema, por que mudar?Por isso, concordo 100% com a conclusão do Carrenho: Kobo, Amazon, Saraiva, precisam falar mais sobre seus aplicativos.

Mas não adianta fazer resenhas dos aplicativos nos jornais, nem ter o melhor slogan do mundo na capa da Veja… o consumidor só sai da zona de conforto, se perceber uma vantagem óbvia, imperdível, para fazer isso. Receber um bestseller de graça, se baixar o aplicativo XYZ, já seria um bom começo. Promoções e descontos de verdade, criativos, também ajudariam. Oferecer pacotes com vários ebooks, de editoras diferentes, por preços módicos por um período limitado. Para quem tem criatividade, o céu é o limite.

E para quem quiser aprofundar a questão do marketing para ebooks, aqui vai o meu jabá: no mês de março, você pode participar do meu curso Estratégias de Marketing para eBooks, que terá turmas em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Fonte: Tipos Digitais.

Para publicar seu ebook ou livro impresso, nas principais livrarias online, conheça o serviço de publicação da Simplíssimo. Desde 2010 a Simplíssimo já comercializou mais de 1 milhão de exemplares, para mais de 1.500 autores e editoras. Veja como funciona.

 

Sobre o autor

Eduardo Melo

Eduardo Melo é fundador da Simplíssimo e seu diretor-executivo desde 2010. É licenciado em História e Mestre em Teoria da Literatura.

SimplíssimoAté Bento XVI prefere o iBooks

Comments 3

  1. O título é bem chamativo, mas não há qualquer menção ao papa no texto… Só há a foto, que, segundo me lembro, foi usada em matéria mostrando o papa inaugurando Sua conta de twitter (não fiz pesquisa para confirmar, logo é bem possível que eu esteja enganado).

    1. Oi Luis. É verdade. O papa estava estreando a conta no Twitter, e até se atrapalhou um pouco, disseram os jornais.
      A ideia do título e da imagem, era ser provocativo, em relação ao texto que foi analisado acima.
      Nas próximas vezes, vou procurar incluir legendas nas imagens, deixando isso mais claro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Currently you have JavaScript disabled. In order to post comments, please make sure JavaScript and Cookies are enabled, and reload the page. Click here for instructions on how to enable JavaScript in your browser.