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Aumentar o Preço dos eBooks Não Leva a Nada

27/12/2011
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Um ótimo artigo no The Guardian, escrito por Dan Gillmor, mostra que não é só aqui no Brasil que existem os problemas com a precificação exagerada dos livros digitais. Também em outros países, como Estados Unidos, editoras aumentam os preços das versões digitais, com medo do controle de grandes varejistas como a Amazon e também da ameaça da queda das vendas de livros físicos.

Gillmor agradece às grandes companhias por ajudá-lo a conhecer e a dar mais valor às livrarias independentes de bairro e sebos, onde encontrou pessoas que realmente amam livros.

Eles conquistaram isso exibindo as qualidades que vêm tão naturalmente junto à empresas de mídia gigantes: ganância e arrogância – neste caso, aplicada à maneira como eles lidaram com o mundo digital.

Ele então explica os dois modelos de vendas no país, de agência e tradicional. De acordo com o artigo, as seis principais editoras – conhecidas como Big Six – aderiram recentemente ao modelo de agência para eBooks para tirar o controle dos preços da Amazon, que estava vendendo livros digitais a US$9,99, um valor baixo demais para eles, que poderia minar o mercado.

E assim surgiu a Apple, que permitiu a todas as editoras escolherem os preços de eBooks que bem entendessem. Dessa forma, tiveram um aumento geral de 30% a 50% nos preços desse produto. O que antes custava US$9,99 passou a custar US$13, US$15. E o próprio Gillmor, que comprava diversos eBooks por impulso ou por desejo, passou a comprar menos deles e começou a frequentar mais as livrarias de bairro, encomendando os títulos que gostava.

Não apenas o aumento dos preços, mas um aumento vastamente superior; eBooks best-sellers na Amazon (e no Nook da Barnes & Noble) saltaram de 30% a 50%, passando de cerca de US$10 a US$13 ou US$15 ou até mais, uma vez que as editoras impuseram preços mais altos para as versões digitais. E caso após caso, o preço do eBook para um impresso ficou perto, e às vezes foi até superior, ao preço da Amazon para uma capa dura. Lembre-se, a Amazon ainda tem o direito de desconto de preço de lista de livros físicos, como sempre tem feito. Enquanto isso, as editoras têm ditado que os preços eBook será o mesmo que eles cobram para livros de bolso (cerca de US$10 dólares nos dias de hoje).

Um eBook custar o mesmo preço que um livro físico é um negócio terrível para o cliente. Entre outras desvantagens, você não pode revender – ou até mesmo dar – um eBook na maioria dos casos. Você realmente não possui um eBook, você está apenas alugando-o, mesmo se a empresa que aluga diz que você pode mantê-lo, porque isso depende do tempo de vida do vendedor. Talvez a Amazon dure um longo tempo ainda (espero que sim, como detentor de uma pequena quantidade de ações da Amazon), mas por que alguém iria contar com isso?

Lembro-me de que, na 1ª Feira Escolar do Livro Digital, que aconteceu em São Paulo, que Matinas Suzuki, da Cia. das Letras, comentou que aqui no Brasil os livros digitais ainda eram caros porque não havia demanda o suficiente, e talvez isso seja mesmo uma realidade aqui. Mas preços altos não conquistam ninguém, nem aqui e nem lá fora.

Aumentar os preços realmente não leva a nada, e há várias outras medidas para mostrar controle que não seja prejudicando o consumidor. A Amazon tenta canibalizar o mercado? Sim, tenta. Mas agora dessa forma realmente não é o melhor remédio. E é por isso que nos EUA o crescimento das vendas de eBooks não está parando, mas está menor.

Querendo ou não, foram esses preços e a Amazon que ajudaram a explosão de eBooks que vimos nos Estados Unidos em 2011.

Ele encerra:

Eu reconheço o dilema da indústria da publicação. Como todas as organizações de mídia, as editoras estão enfrentando um mundo incerto que tem derrubado os modelos tradicionais. Mas a resposta – voltando o relógio – está apenas me transformando exatamente no que eles não querem: alguém que pensa muito mais antes de comprar.

 

  1. E a lei da oferta e procura? Se não tem demanda, baixe o preço e crie essa demanda, oras! Se vende cada vez mais tablets no país. Teremos uma enorme demanda reprimidada logo, logo, como aconteceu com os carros.

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