Rascunho

Autopublicação – acredite, mas antes duvide!

Maurem Kayna Autores Deixe um comentário

Aproveitando as reflexões deixadas pelo post da Stella sobre as 100 perguntas que alguém que pretenda publicar um eBook (ou qualquer impresso, no meu ponto de vista) deve fazer a si mesma, deixo aqui uma breve provocação afirmativa aos autores ou candidatos a autor que nos acompanham: há duas posturas cruciais a serem adotadas antes de nos atrevermos a desejar a publicação: 1) duvidar do nosso próprio texto e 2) acreditar (com toda a força da teimosia possível) nesse mesmo texto.

O paradoxo é menos enraizado do que aparenta. Antes de se lançar à empreitada de publicar uma obra – de qualquer gênero – o autor não pode se deixar tomar pelo encantamento com o próprio texto ou se deixar afagar pelas opiniões entusiasmadas dos mais chegados. Se for um autor com algum potencial, é certo que será também um leitor e é como tal que precisa olhar para sua escrita.

Ler com desconfiança e senso crítico suas próprias frases não é tarefa das mais simples, mas é indispensável. E se não puder ser alcançada, vale lançar mão de um serviço qualificado para tal.

Quando o resultado da leitura não for mais do que a vontade de ajustar coisas muito sutis no texto e se puder gostar da leitura como se teria prazer em ler algum dos autores admirados, aí sim pode-se adotar a postura de acreditar irredutivelmente que aquilo vale a pena e deve ser publicado.

Considero prudente e lúcido que a transição de um a outro estado não aconteça com menos de uma dezena de leituras e revisões.

Releio essas considerações e penso que são tão ridiculamente óbvias que sequer deveria me dar ao trabalho de colocá-las aqui. Mas logo recordo da infinidade de coisas lidas – algumas vezes publicadas apenas em blogs, é verdade, mas muitas em eBook e mesmo em versão impressa – que seguramente não enfrentaram essas provas sugeridas e me convenço a não desistir de partilhar isso com vocês.

Para aqueles que acreditam que apenas um instante de inspiração deve bastar para produzir uma grande obra, que prevaleça então o senso de realidade do mercado. Apesar de uma recente enquete assegurar que mais de 30% dos clientes de uma certa megastore compram, costumeiramente, novos autores, penso que isso não se reflete em números práticos. Então, se a expectativa em relação à publicação inclui vendas significativas, é bom inclui o risco (quase garantia) de frustração como elemento decisório.

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