Barrando a Pirataria de E-books com o Ex-Libris Eletrônico – artigo

Colaboração do leitor Artigos 21 Comments

Publicar e-books sem proteção contra pirataria é algo inconcebível para os editores brasileiros. No mundo pós-MP3 e no país do xerox de porta de faculdade, as preocupações dos editores merecem consideração.

A escolha mais comum para quem quer proteger seus e-books é apostar na proteção DRM (Digital Rights Management) fornecida pela Adobe, através do Adobe Content Server 4 (ACS4). O DRM funciona restringindo os aparelhos, os programas e a quantidade de acessos que os leitores podem ter aos seus e-books.

Embora realmente impeça a cópia indiscriminada dos livros, a rede está cheia de sites que ensinam como retirar a proteção do DRM e “desbloquear” os livros. Para os hackers profissionais, é tarefa fácil – contra eles não há defesa ou proteção que resista. Como se não bastasse, o DRM também provoca uma série de problemas para os consumidores, que estragam a experiência da leitura eletrônica.

Embora poucas pessoas conheçam, existe um outro caminho para atacar a pirataria, sem as deficiências e os “efeitos colaterais” do DRM tradicional.

Social DRM, a proteção com respeito

O Social DRM consiste em inserir, dentro de cada arquivo vendido, informações que identifiquem o comprador.

Um dos melhores exemplos de uso do Social DRM é o iTunes, loja de música da Apple, que usa essa tecnologia desde 2009. Todas as músicas adquiridas lá podem ser copiadas quantas vezes o consumidor quiser, convertidas para MP3 livremente e ouvidas e gravadas como o dono preferir. Os dados pessoais do comprador são armazenados nos arquivos das músicas – nome, e-mail, código do comprador na loja, entre outros dados. Se algum comprador se atrever a distribuir na rede as músicas adquiridas, distribuirá, junto com as músicas, seu nome e seus dados. Como nenhuma pessoa razoável está disposta a ser identificada, publicamente, praticando uma atividade criminosa, a inclusão dos dados pessoais exerce um controle social sobre a pirataria, indireto, daí o nome Social DRM.

A tecnologia do Social DRM pode ser facilmente aplicada aos e-books, de forma invisível, aleatória, codificada, enfim, de muitos modos. Ela também pode ser empregada esteticamente, atualizando o conceito de Ex-Libris, um velho conhecido do mundo dos livros impressos.

Ex-Libris como Social DRM para e-books

Uma proteção anti-pirataria e feita com arte: resgate dos componentes estéticos do livro impresso

Tradicionalmente, um Ex-Libris é um selo, ou carimbo, aplicado na folha de rosto dos livros, para identificar o nome do proprietário do livro ou o acervo ao qual pertence. Até hoje, leitores ciosos dos seus catálogos particulares usam Ex-Libris para identificar a propriedade dos seus livros. Eu mesmo tenho um catálogo do Acervo de Ex-Libris da Biblioteca Pública do Paraná, com centenas deles, muitos são legítimas obras de arte. Reproduzo algumas imagens aqui.

No caso dos livros impressos, cada pessoa possui seu Ex-Libris exclusivo. No caso dos e-books, o Ex-Libris eletrônico funciona como uma imagem, inserida no arquivo do e-book, na qual constam os dados de quem adquiriu aquele exemplar específico. Assim como no iTunes, o Ex-Libris oferece a chance de rastrear a origem de eventuais cópias piratas, caso elas surjam, e tomar medidas mais concretas contra os piratas contumazes.

Para os editores, é uma solução prática e barata, que atende os anseios dos autores por segurança, sem prejudicar os direitos e as experiências dos leitores com seus e-books. Ao contrário do DRM tradicional, que, em nome da proteção aos e-books retira direitos e facilidades dos leitores, o Ex-Libris é positivo, concedendo direitos aos leitores em troca do uso responsável:

  • Não há limites para o leitor criar e restaurar cópias de segurança;
  • Os e-books podem ser convertidos para outros formatos, conforme o desejo do leitor;
  • O leitor pode manter cópias simultâneas em seu celular/computador/e-reader;
  • O livro pode ser lido em qualquer aparelho, como e quando o leitor preferir.

Reconhece essa figura?

Além de menos traumática e invasiva para os leitores, o Ex-Libris como proteção anti-pírataria transmite uma mensagem clara para o leitor: esse e-book é seu, sua propriedade. Cuide bem dele. Parece pouco, mas agrega valor ao livro eletrônico.

Algumas pessoas podem levantar a bandeira da privacidade, argumentando que incluir os dados dos leitores em seus livros violará suas privacidades. Seria um argumento válido, se os Ex-Libris não cumprissem a mesma função nos livros impressos há séculos (literalmente). Pior do que incluir o nome do dono e seu e-mail no exemplar de um e-book, é controlar remotamente os hábitos de leitura das pessoas, saber quais e quantos livros e em que tipo de aparelhos elas lêem, coisas que o DRM tradicional permite fazer e pouca gente percebe.

Tecnologias como o DRM tradicional são caras, ineficientes, prejudiciais ao desenvolvimento do mercado e ao uso do e-book pelos leitores honestos.

O Ex-Libris eletrônico atualiza um conceito tradicional e estético dos livros impressos, com a vantagem de não demandar servidores exclusivos, nem tecnologias que ficarão defasadas em poucos anos, trazendo prejuízos para os leitores e danos de imagem para os editores e livrarias online. É uma idéia simples, de fácil aplicação e criativa, com a qual todos saem ganhando: menos pirataria de e-books, mais liberdade para os leitores.

As editoras utilizam o Stealth, sistema da Simplíssimo para vender e distribuir e-books, podem acrescentar, sem nenhum custo, um Ex-Libris eletrônico com Social DRM em cada cópia vendida. Para conhecer mais a respeito dessa solução, fale com a Simplíssimo.

Para publicar seu livro em ebook ou impresso, nas principais livrarias online, conheça o serviço de publicação da Simplíssimo. Nossos números são difíceis de bater: desde 2010, a Simplíssimo comercializou mais de 1 milhão de exemplares e publicou mais de 1.000 ebooks e livros impressos. Veja como funciona a publicação para seu livro, aqui.

 

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Comments 21

  1. Pingback: Ex-Libris em e-books para barrar a pirataria | Editora Plus

  2. Sinceramente, o “SocialDRM” me parece uma proposta anacrônica. Importar um modelo de controle sobre os livros da Renascença para o ambiente de redes digitais é uma proposta bastante conservadora. É a primeira vez que ouço falar de “SocialDRM”, e pelo que eu entendi, ela inibe uma das maiores potencialidades das redes digitais: a distribuição fácil e barata de conteúdos culturais em larga escala. Gostaria de ler mais sobre o assunto, mas imediato, não parece uma boa idéia.

  3. Oi Lineu. O Social DRM não inibe a distribuição fácil e barata de conteúdos digitais em larga escala, como você diz.

    O Social DRM inibe, sim, a pirataria. E faz isso sem impedir que o leitor, ou consumidor de produtos digitais, utilize seu conteúdo com mais liberdade.

    A distribuição é fácil e barata também. O Social DRM não acrescenta nenhum custo aos editores, é oferecido gratuitamente na nossa plataforma Stealth. O DRM tradicional, fornecido pela Adobe, custa R$ 80 mil reais para ser instalado e usado de forma independente ou US$ 0,20 por download, se usado como serviço.

    Se o Ex-Libris e o Social DRM são da Renascença, o DRM é da Idade Média… o que é mais conservador?

  4. No Brasil, ao contário do que ocorre nos EUA, as pessoas tecnologicamente integradas não tem a cultura de pagar por música, filmes e software.Qualquer pessoa com conhecimentos médios em informática sabe usar torrent, redes de p2p, Rapidshare…
    Sabemos que a pirataria reina absoluta em países emergentes e subdesenvolvidos.
    Caso os e-readers realmente venham a se popularizar, será questão de tempo encontrar best-sellers grátis para baixar. Como o próprio artigo menciona, as tecnologias de DRM não são invulneráveis. E, ainda que fossem completamente imunes à crackeamento, nada impediria que um espertinho redigitasse o livro. Por experiência própria, lhe digo que tal tarefa não demanda mais que uma manhã ou uma tarde de trabalho. Duvida de que, na situação hipotética de ebooks serem “impirateáveis”, surgiriam clubinhos de digitação de livros? Eu não duvido. Isso já ocorre com legendas de filmes. No http://www.legendas.tv, só pra citar um exemplo clássico, legendas para episódios de seriados recém-exibidos nos EUA são criadas e disponibilizadas rapidamente.
    Fazendo uma analogia: se o Brasil já estivesse mergulhado na era do livro eletrônico, certamente seria fácil achar na internet ”Crepúsculo”, ”A Cabana”, enfim, todos esses best-sellers mais recentes. Não sou especialista em futurologia,e só o tempo dirá se a minha visão está certa. Mas, num país como o Brasil, é isso que a lógica e o bom senso indicam que acontecerá.

  5. Comparação interessante: no Brasil, comprar livros em ebook stores será tão impopular quanto comprar músicas pelo iTunes ou pelo UOL.

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  8. Musicas são piratiadas, filmes são pirateados , videos games são pirateados , e nenhuma destas industrias morreu da fome , por que seria diferente com as editoras e seus autores, querem combater a pirataria é muito simples , baixem os preços ou insiram propagandas nas folhas dos livros e deixem piratear a vontade , estamos em um mundo com um novo tipo de negocio , é bom se adptar

  9. Achei ótima a possibilidade do ex-libris eletônico. Estou à procura de uma solução. Pesquisando, encontrei esta matéria.

    Sou completamente a favor da cultura. Neste aspecto, a internet cumpre seu papel – pode-se encontrar de tudo!

    Entretanto, não há justificativas possíveis para que alguém se aproprie do trabalho de outro. Aos que acreditam que é só copiar, deixo uma pergunta: O que direima de alguém que tomasse o fruto de seu trabalho?

  10. Ex-libris eletrônico não acho uma solução, já temos tantas fraudes e clonagem de cartões, imagina um leitor intencionado simplesmente compraria um e-book com dados de outra pessoa e distribuiria na rede, ou seja, ex-libris não garante a integridade do conteúdo.

  11. È uma idéia interessante se bem que em duas horas horas consegue-se scanear um livro de umas 200 páginas e tranformá-lo em ebook facilmente o que impede a localização do distribuidor ….
    Seria interessante formar uma equipe e monitorar repositórios como Megaupload ,Rapidshared,4shared

  12. É uma boa idéia. Leônidas, eu escaneei todos os livros didáticos da minha filha e garanto que não tenho qualquer interesse em distribuir esse material. Ao contrário, preferia que a editora tivesse esse trabalhão para mim (dói a coluna :-/) e eu pagaria. O DRM social garantiria que pessoas mais generosas não distribuam indiscriminadamente esse material. O DRM Social me parece bastante justo. Só acho que o ebook, com ou sem proteção, acaba com o emocionante hábito de emprestar livros -(

  13. Pingback: DRM social « Mondo de Aline

  14. Concordo plenamente com a yuri. A pirataria já é generalizada com a xerox. Numa plataforma digital, será pandemica como no caso das músicas.
    “Musicas são piratiadas, filmes são pirateados , videos games são pirateados , e nenhuma destas industrias morreu da fome , por que seria diferente com as editoras e seus autores, querem combater a pirataria é muito simples , baixem os preços”
    Daniel, essas industrias sobrevivem exatamente porque não dependem do mercado brasileiro. A música pirateada aqui é a mesma que a vendida lá.No caso dos livros, tem uma pequena diferença: a língua. O livro aqui é diferente do de lá. Se os livros forem pirateados como a música, as editoras aqui fecharão e nós brasileiros teremos que nos contentar com a literatura estrangeira, seja em inglês ou em traduções feitas em grupo.

  15. Quanto ao Social DRM, acho uma ideia que na teoria me parece mto boa mas que na prática não funcionaria. Pode dar até certo trabalho para alguem tirar seu nome e dados do arquivo. Mas basta 1 unica pessoa fazer isso 1 unica vez para que aquele livro se torne amplamente pirateado.

  16. Voces ainda acham que podem barrar a pirataria após a internet ?? quer ouvir qual múcia ? procure no google… irá achar… lembra aquele rock n roll ? quando tinhas espinahs na cara ? voce com certeza acha no google… Acha que com os ebooks será diferente ? O que se tem que fazer é minimizar as perdas… As livraria digitais devem fazer uma maneira fácil e barata de se baixar lívro… O que voces não estao entendendo é que hoje se escaneia um livro e se converte para pdf em menos de 2 horas… Não precisa quebrar os códigos, nao precisa ser hacker… basta um bom prgrama de OCR um Scanner razoável e já foi… da mesma forma que se converte CD em MP3… os ebooks piratas não sao originários de versoes oficiais de ebooks, mas de livros de papel…Já era… ou será que advogados no brasil conseguiram bloquear um site na Ucrania ou na Russia ? O que se deve pensar é em minimizar perdas… site de música a preço barato, ebooks paratos, coisa de 5-10 reias… Qual o custo da impressão ? Zero…

  17. Aqui no brasil é semrpe assim, e eu concordo que deve-se abaixar todos os valores de midias, ou vcs acham justo pagar 10 a 15% do salario minimo num livro que vc só vai poder ler no seu pc ou ebook, é a mesma coisa que comprar um livro na biblioteca e só poder usa-lo lá…
    Outro ponto que acho muito ridiculo é direitos autorais, 70 anos depois de morto, o livro vem a dominio publico, tudo bem, vejam o exemplo ai, não em mlivros, mas em musica que é quase a mesma coisa…
    quem de vcs ai já ouviu a nova musica do roberto carlos???
    mas ele ainda continua ganhando dinheiro com elas….
    e isso no meu ponto de vista, retira a vontade da pessoa de criar mais e mais obras…
    pensa cmg, se eu fosse a criadora dos livros do harry potter, já estaria milionario, pra que me dar ao trabalho de ter varias e varias noites de trabalho recriando historias e etc….

  18. As ideias no estilo “DRM social”, como o Ex-Libris eletrônico e o preço mais baixo dos livros são as únicas formas das editoras sobreviverem num futuro a médio prazo.

  19. Quem acha que direito autoral é ridículo não sabe o que está falando, eu sou autor da Editora Saraiva e ridículo é ver meu trabalho copiado criminosamente . Esse é meu trabalho é minha vida e eu JAMAIS permitirei que um livro meu seja vendido no formato digital acreditando que apenas os dados inseridos no livro seriam suficientes para proteger meus direitos. Com esses dados o que eu faço ? Processo o leitor criminoso ? Quanto tempo vou perder cassando os bandidos ? quanto dinheiro vou gastar com processos ? Não !!! Não terei mais livros digitais enquanto um processo de certificação 100% seguro me garanta os direitos autorais e vou liderar junto a importantes autores que nunca mais façam livros digitais eu vou trabalhar para acabara com esse oferta por autores brasileiros, essa será uma das minhas lutas enquanto eu vier e não existir uma proteção absolutamente segura. Eugenio Montoto

  20. Excelentes o artigo e a discussão.
    Tenho há anos me batido com essa … de DRM. Já fiquei revoltado muitas vezes com a compra de ebooks em livrarias do exterior e, quando mudo de plataforma (novo tablet, smartphone, etc) vem o avisinho: “excedeu o número de downloads” Grrrr!!
    Vou tentar agora achar ebooks somente com o “Social DRM”, esperando não passar mais vezes por esse dissabor…
    Quanto ao pagar: claro, pagando-se pouco, que mal tem?

  21. Pingback: Pirataria de eBooks no Brasil – LIVROS DE PIXEL

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