Como foi Marcelo Tas no Congresso do Livro Digital

Eber Freitas Ebooks Deixe um comentário

Palestrante confirmado pouco antes do início do 4º Congresso internacional do Livro Digital, o ator e apresentador Marcelo Tas falou sobre sua experiência enquanto produtor de conteúdo tanto para a TV, onde é âncora do programa CQC, quanto na internet e seu blog, para o qual escreve há cerca de 10 anos. Filho de professores, Tas também palestrou sobre a evolução na educação e o impacto que o volume de informações e o desenvolvimento técnico têm provocado no crescimento intelectual dos estudantes, professores e escolas.

“Para entender essas mudanças, é necessário comparar o nosso primeiro dia de aula com o primeiro dia de aula de uma criança hoje em dia para entender a mudanca no consumo da informação, de ler o livro”, explica. “No meu primeiro dia, nosso professor começava a aula preenchendo o quadro-negro de informações, e nós copiávamos. Fomos a primeira geração ‘cut-paste'”, compara Tas.

“Copiavamos do quadro negro, tinhamos um provedor de informação inquestionável, fazíamos um download do que tinha na lousa, passivamente. O professor ficava trinta minutos copiando a aula no quadro negro, com uma letra muito bonita. Depois ele lia o que tinha no quadro negro. Essa é a plataforma onde a minha educacao foi forjada”, afirma. Atualmente, segundo ele, as crianças contam com inúmeros provedores de informação, onde o professor representa o mínimo. “A educação de hoje ainda e muito parecida com a da idade média”, critica.

O “ato sagrado” de publicar

Uma grande crítica de educadores e literatos – em geral reacionários – com relação à internet, é a publicação excessiva de informações sem o tradicional trato editorial. Antes, só se tornava público o que passava pelo crivo de editores de jornais, livros e revistas. Com a popularização da web, os produtores de conteúdo passaram a ser seus próprios editores: e qualquer um com uma conexão mínima e acesso à informação pode ser um produtor.

Publicar livros também está se tornando uma atividade, aos poucos, independente de grandes casas editoriais. Comparando a facilidade atual com a luta para levar um programa de TV a uma restrita audiência nos anso 80, Tas compara a publicação a uma prática escatológica. Ele explica seu posicionamento relembrando seu início como comunicador, quando ainda era aluno de Engenharia na USP.

“Junto com uma turma de comunicação, montei uma produtora chamada Olhar Eletrônico. Produzimos vídeos por dois anos, e ninguém assistia, por que não tinha como publicar. Até que um dia a gente conseguiu ganhar um festival de vídeo, e finalmente um irresponsável nos convidou para publicar o video na TV Gazeta”, lembra Marcelo. “Naquela época era uma TV que mal chegava a alguns bairros de São Paulo. Publicar em formato eletrônico era muito dificíl. A TV Gazeta era um YouTube a lenha. Hoje não se valoriza tanto a publicação”, accredita.

Para ele, “publicar é algo extremamente precioso. Com a facilidade de hoje, a gente publica qualquer coisa, e con isso perdemos a maravilha e a emoção de publicar. É fácil publicar, mas também e muito importante. Os editores devem manter a religiosidade desse ato sagrado”, disse, para uma plateia de quase 300 editores e livreiros.

Relação entre TV e Web

A era da comunicação unilateral entre emissoras de TV e os consumidores de informação, definitivamente, acabou. Se os produtores de informação não estiverem prontos para interagir com os telespectadores ou leitores e ouvi-los, não irão durar muito. Marcelo Tas aprendeu cedo a utilizar ferramentas sociais para medir a própria popularidade: conta com mais de 4 milhões de seguidores no Twitter, 2 milhões no Facebook e 1,2 milhão no Google Plus, além do seu blog.

O jornalista apresentou dados exclusivos de uma pesquisa realizada pelo Terra que mostra algumas informações interessantes sobre o comportamento dos consumidores de tecnologia. Dentre os brasileiros que participaram da pesquisa, 49% dedicam mais atenção à internet do que à televisão, e outros 44% prestam atenção aos dois veículos ao mesmo tempo. Apenas 7% se concentram mais na TV. Essa tendência ainda é levemente menor do que em outros países, como a Argentina e Espanha. A frequência de acessos à internet enquanto se assiste televisão chega a 30% (sempre) e 34% (frequentemente), perfazendo um total de 64% de telespectadores que assistem TV de smartphone ou tablet nas mãos.

“O consumidor de hoje assiste o jogo e ao mesmo tempo critica o jogo; vê a novela e sugere algo para o roteirista. Essa é a nossa vontade de ser narrador”, afirma. “Os editores devem ouvir a rede”.

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