Conheça os palestrantes: Antonio Hermida

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Antonio Hermida é coordenador de mídias digitais na Cosac Naify. Quem  o conhece sabe que é um apaixonado por livros digitais e por tecnologia, em especial pelo Open Source. Em tudo o que faz coloca paixão e profissionalismo sobretudo quanto o tema é livro digital.

Revolução eBook: Nos fale um pouco sobre você, onde trabalhou e onde trabalha atualmente.
Comecei a trabalhar com livros digitais na Zahar, em 2009, como Assistente de produção. Avaliava fornecedores, adaptava e corrigia os arquivos pré-existentes.
Em 2011, me tornei gerente de produção da Simplíssimo, onde gerenciava a produção, adaptando, corrigindo e finalizando os arquivos de acordo com as especificações de cada editora.
Ano passado, mudei-me para São Paulo e assumi o cargo de Coordenador de mídias digitais na Cosac Naify, ficando responsável pela concepção e produção dos livros digitais da editora.

Revolução eBook: Como você iniciou a interessar-se sobre eBooks?
Na verdade, antes, foi uma necessidade. Tínhamos (na Zahar) desde 2009, uma quantidade razoável de e-books convertidos na Índia. Na época, não havia ferramenta de edição ou validação. O formato ainda engantinhava. Eu trabalhava, principalmente, com cotejos, índices e padronização de bibliografias no editorial. Fora da Zahar, administrava um servidor com mais de 5000 usuários e dois sites. A Ana Tavares (gerente de produção da Zahar) me pediu para bater as emendas de alguns desses epubs. O trânsito desses arquivos era excepcionalmente complicado. Uma vez produzidos, o ciclo era mais ou menos assim:

Revisão > batida de emendas > envio para Índia solicitando as correções x e y > Retorno do arquivo (em média, 3 semanas) > Revisão (onde, geralmente encontravámos novos erros > reinício do ciclo.

Eu sabia que o epub era um zip com htmls e css dentro. Como havia cursado Análise de sistemas e tinha domínio de html e css, levei alguns arquivos para casa no final de semana e passei dois dias e duas noites entendendo a estrutura de conteúdo e funcionamento de sua compactação, isso e começar a ver o que de fato funcionava e o que não era permitido. O material sobre o assunto na época, era escasso e impreciso. Na segunda-feira trouxe os arquivos emendados e perguntei se poderia passar a fazer as correções e adaptações internamente, ao que me dada total autonomia. Me apoderei dos e-readers da editora (mas os devolvi quando saí), um PRS-600, um Cooler e comprei um Nook eventualmente para entender como as coisas funcionavam em cada um (os links, por exemplo, não funcionavam se o id não tivesse um número mínimo de caracteres no Sony e assim por diante). Geralmente eu tenho dessas obsessões quando cismo de entender o funcionamento de alguma coisa e, bem, foi isso e é isso até hoje. Consegui unir minhas principais áreas de interesse, até então, conflitantes: livros e tecnologia.

Revolução eBook: Nos explique melhor o seu trabalho: o que você faz em específico e quais tecnologias você usa?
No geral, quando a conversão é externa, minha rotina com os arquivos é:
prepará-los para envio ao fornecedor com as instruções sobre alguns parâmetros que, geralmente, consistem numa simplificação do design em relação ao impresso. Isso evita surpresas e agiliza a entrega desse pré-arquivo.

Uma vez recebido, cotejo, teste de links e estrutura de código, adaptção dos padrões internos e imagens e, por fim (a parte mais demorada), pensar nas adaptações de design a fim de transpor ao menos a essência da identidade do livro. Isto envolve, entre outras coisas, buscar um meio-termo entre as vantagens e limitações do formato e dos apps dos canais de venda. Essas adaptações são uma forma de tentar manter a integridade de distribuição do conteúdo nos diversos meios e, não fosse pouca coisa, os livros da Cosac sempre são um desafio a mais nesse sentido.

Sobre as tecnologias utilizadas, atualmente uso o Arch Linux e, nele, principalmente: Sigil, Gimp, Font-Forge, Inkscape, Bluefish, ADE, Readium, epbucheck, epubfixer, Writer. Tenho o Windows e o Indesign numa máquina virtual, mas raramente os uso, atualmente. Fora isso: os apps das lojas para IOs e Android.
Hardware para testes: Nook touch, Kobo mini, Ipad e Nexus 7.

Revolução eBook: Porque um editor deveria publicar no formato digital?
Acho que o dever, nesse caso, é um imposição do mercado. Não vou discorrer sobre custos, estoque e manutenção do mesmo, até porque, hoje, trabalho numa editora cujo catálogo envolve, em grande parte, livros-feitiche e edições extremamente elaboradas graficamente. Não vejo isso como uma concorrência de produtos. Vejo o digital como um novo nicho de negócio e essa é a principal razão para existência dessa demanda. O digital tem seu próprio público embora ainda não seja um mercado consumidor maduro.

Revolução eBook: Se você tivesse que criar uma equipe de produção de livros digitais, por onde iniciaria?
Participei da criação de 5 departamentos digitais nos últimos anos e, sinceramente, cada editora ou bureau, tem suas próprias necessidades de acordo com o tipo de serviço que presta.
No caso das editoras, essas necessidades são mais específicas e o primeiro passo é identificar suas demandas. Isso leva em conta o perfil de catálogo, os resultados esperados e as projeções futuras. Só depois disso muito bem delineado é possível pensar num workflow e no tipo de equipe que será necessária.
O passo seguinte é saber o quanto a editora está disposta em investir nesse negócio e, a partir daí, esboçar uma equipe.

Algumas perguntas vão definir isso:
* Qual o perfil do catálogo?
* Com que lojas a parceria é viável?
* Como se dará a distribuição do conteúdo?
* Qual a quantidade-base mensal de produção estipulada?
* Essa produção será preferencialmente interna ou externa?
* A editora já conta com algum funcionário capacitado (com perfil e interesse) para receber treinamento a fim de avaliar, adaptar e gerir a produção?

A maior parte dessas perguntas influenciará no tipo de conteúdo que será produzido. As perguntas vão sempre levar a bifurcações e só ao fim de um questionário de umas 20 perguntas existe uma base realista das demandas.

Revolução eBook: Qual a maior barreira que você encontrou ao iniciar a trabalhar com os livros digitais? Em linhas gerais que dificuldades você ainda encontra nesse sentido?
A maior barreira ainda é a mesma: mentalidade.
O e-book ainda é encarado, mesmo pelos editores, como um subproduto, um refugo do impresso. Ele é desvalorizado desde a primeira etapa de produção e às vezes antes disso até. Grande parte dos profissionais do livro não se preocupam nem ao menos em conhecer os trânsitos que envolvem o digital. Seja na parte de compra como nas experiências de leitura em aparelhos diversos. É justamente essa mentalidade (que começa dentro das editoras) que coloca o digital na posição de concorrente do impresso, seu nemesis.

No viés da prática, falando de produção, o maior problema é a falta de padrões entre os aplicativos e, não bastasse isso, a falta de documentação por parte dos players. Todos os apps, dizem seguir as normas do IDPF. Na prática, não conheço nenhum que realmente siga, mesmo nas coisas mais simples. Não fosse isso problema suficiente para quem está produzindo, o suporte para esse tipo de questão é quase nulo. Isso se reflete principalmente na experiência do leitor, que acaba tendo sua experiência de leitura prejudicada, e isso também retarda o amadurecimento desse mercado.

O Antonio, juntamente com a Lúcia (Rocco), nos presenteará com a palestra sobre design de eBooks onde irá dar dicas práticas sobre como adaptar o conteúdo impresso ao digital.

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