Lição do Facebook para quem faz ebooks: fique ‘feio’ para aparecer melhor

Eduardo Melo (Simplíssimo) Autores, Ebooks

Como conseguir que aquele recurso super bacana, aquele design bonito, fique bom em todos os aparelhos? Eis um problema permanente para quem trabalha com ebooks. A solução encontrada pelo Facebook foi pragmática: nivelar a qualidade por baixo, para garantir um acesso razoável para o maior número de pessoas.

A diversidade de dispositivos, novos e antigos, com telas e configurações muito diferentes entre si, condiciona totalmente o conteúdo digital que será apresentado para os usuários. Segundo a diretora de Design de Produtos do Facebook, Julie Zhuo,

“Enquanto eu (e talvez você) tenho um monitor de 27 polegadas de alta resolução, muito mais pessoas no mundo não têm. Telas pequenas de baixa resolução são mais comuns que os monitores de alta resolução da Apple ou Dell. E o antigo design não funcionava bem em um netbook de 10 polegadas. Uma única história não cabia no visor”.

Fazendo uma analogia semelhante para os ebooks, enquanto eu (e talvez você) temos um tablet de última geração, muito mais pessoas por aí não têm. Que tipo de experiência vamos proporcionar aos leitores, se desenvolvermos um design avançado, muito bonito, mas ao mesmo tempo desconsiderarmos totalmente os aparelhos simples que a maioria possui?

Quanto mais avançado e cheio de recursos for o ebook, menos pessoas poderão acessar o livro. E quanto mais simples for o ebook, maior o público que poderá acessar. É uma equação cruel.

“Todo design tem seu dia para prestar contas. E a prestação de contas é com as pessoas para quem você cria”, afirmou Julie. “Se é preciso mais scrolling porque a história é mais alta, o site se torna mais difícil de usar. Essas pessoas talvez não sejam early adopters ou usem o mesmo hardware que nós, mas a qualidade da experiência deles importa tanto quanto a nossa”.

Não existem informações sobre a base de aparelhos de leitura (tablets, ereaders, smartphones) dos leitores no Brasil. De todo modo, é seguro afirmar que a base de aparelhos defasados é tranquilamente muito maior que a dos aparelhos de ponta. E todo mundo quer fazer parte do mundo digital hoje em dia…

Fonte: O Globo

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