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Hachette Afirma Que Auto-Publicação é um Equívoco

da Redação Autores, Ebooks, Notícias 3 Comments

Todos querem manter seu ganha-pão, isso é lógico e natural. No caso das editoras, além de estarem tendo que modificar todo o seu pensamento mercadológico e também seu workflow para se adaptar aos livros digitais, também precisam lidar com o crescente sucesso dos autores independentes e os serviços de auto-publicação, como o Smashwords. Até a própria Penguin lançou um serviço similar.

Para mostrar a importância das editoras e publishers, o Hachette Book Group, uma das maiores editoras do mundo – integrante das “big six” – enviou um documento interno a seus empregados e também a autores e agentes. “Você tem que olhar atentamente para o que você está fazendo e como você está mudando e se adaptando”, disse ao site Digital Book World um executivo da Hachette, que preferiu não ser identificado e que confirmou a autenticidade do documento. “Estamos todos tentando lidar com boas mensagens.”

O documento é como uma amostra de tudo o que uma editora pode fazer por um autor que mais ninguém, nem mesmo ele, pode. Confira a íntegra do documento traduzido abaixo:

“A auto-publicação” é um equívoco.

A publicação exige uma complexa série de compromissos, tanto nos bastidores como em frente ao público. A distribuição digital (que é o que a maioria das pessoas querem dizer quando dizem auto-publicação) é apenas um dos componentes levar um livro ao mercado e ajudar o público tomar conhecimento do mesmo.

Como um editora de serviços completos, a Hachette Book Group oferece uma vasta gama de serviços para os autores:

1. Curador: Nós encontramos e nutrimos talentos:
• Identificamos os autores e livros que vão se destacar no mercado. A HBG descobre novas vozes, e separa o notável do resto.
• Agimos como colaboradores de conteúdo, com foco na promoção do talento de escrita, promovendo relacionamentos ricos com nossos autores, fornecendo-lhes conselhos de especialistas editoriais em seus escritos, e enfrentar uma enorme variedade de problemas em seu nome.

2. Capitalista de risco: Financiamos processo de escrita do autor:
• Na HBG investimos em idéias. Na forma de adiantamentos, que permitem aos autores o tempo e recursos para pesquisar e escrever. Além disso, investimos continuamente em infra-estrutura, ferramentas e parcerias que tornam a HBG um grande editora parceira.

3. Especialista em Vendas e Distribuição: Nós garantimos a maior audiência possível:
• Levamos nossos livros ao lugar certo, na quantidade certa e no momento certo (o mesmo se aplica a edições impressas e digitais). Trabalhamos com revendedores e parceiros de distribuição para garantir que cada livro tenha a oportunidade de alcançar o maior número possível de leitores.
• Nós garantimos uma distribuição ampla e dominamos a complexidade da cadeia de suprimentos, nos formatos digital e físico.
• Nós funcionamos como um pioneiro de novos mercados, exploramos e experimentamos novas ideias em todas as áreas do nosso negócio e investimos nessas novas idéias – mesmo que, em alguns casos, um resultado positivo não é garantido (como acontece com aplicativos e enhanced eBooks).
• Atuamos como um especialista em preço e promoção (coordenando mais de 250 títulos mensalmente, as promoções semanais e diários sobre eBooks em todas as contas).

4. Construtor de marca e cão de guarda de direitos autorais: Nós construímos as marcas de um autor e protegemos sua propriedade intelectual:
• Editores geram e disseminam emoção, sempre procurando novas maneiras fazer nossos autores e seus livros se destacarem. Somos capazes de nos conectar com leitores de livros de uma forma significativa.
• Oferecemos competências em marketing e publicidade, apresentando um livro para o mercado da maneira certa, e garantindo que a criatividade, inteligência, perspicácia nos negócios informem nossa estratégia.
• Protegemos a propriedade intelectual dos autores através de rigorosas medidas anti-pirataria e controles territoriais.

Então é isso? Não discordo de nenhum desses pontos. Realmente, as editoras – ainda mais as mais tradicionais – são e serão importantes justamente por causa disso. Além de atuarem como hub de serviços, ainda servem para separar o joio do trigo, e garantir títulos relevantes para a grande massa.

Mas e os nichos? Aqueles que são tão pequenos que não valem o investimento de uma boa editora? Só porque não podem receber investimento e proteção de uma editora, títulos muito bons para poucas pessoas merecem ficar nas gavetas para sempre?

A auto-publicação trouxe ótimas oportunidades para quem nunca as teve. Mesmo quem nem sonha em ter seu livro nas prateleiras, pode ter sua publicação oficial e distribuir para amigos e conhecidos. Quem já recebeu muitos nãos de editoras, pode tentar por vontade própria, se esforçar no marketing e conseguir bons resultados, inclusive um contrato posterior com uma boa editora, como já aconteceu muitas vezes.

Por isso, acho muito justo editoras defenderem sua importância – que para mim é inquestionável –, mas dizer que a auto-publicação é um equívoco me parece exagerado e uma mostra de medo. Não é preciso ter medo, editoras ainda serão totalmente importantes na cadeia do livro, mas é preciso permitir que todos tenham chances, já que a tecnologia permitiu isso. E respeitá-las.

Para publicar seu ebook ou livro impresso, nas principais livrarias online, conheça o serviço de publicação da Simplíssimo. Desde 2010 a Simplíssimo já comercializou mais de 1 milhão de exemplares, para mais de 1.500 autores e editoras. Veja como funciona.

 

Sobre o autor

da Redação

Para entrar em contato com a redação do Revolução eBook, escreva para sac@simplissimo.com.br

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Comments 3

  1. Além de fã de livros, fui livreiro por muito tempo.
    O mercado de e-books oferece uma opção importante e arriscada – a auto-publicação.
    O sujeito escreve e ele mesmo formata seu e-book que vai, via internet, parar nos tablets e e-readers de quem deseja lê-lo.
    Há problemas nisso? Sem dúvida.
    Pelo histórico da internet já podemos imaginar. Quem garante o bom conteúdo?
    Em tese, as editoras são as responsáveis por isso. A função do editor é essa, separar o joio do trigo. Mas do outro lado dessa história, estamos assistindo a uma queda da qualidade editorial dos escritos “físicos” também. Entramos numa livraria e, como um amigo chamou-me atenção certa vez, acabamos por perceber um crime ecológico ali. “Quantas árvores foram derrubadas para imprimir essa coisa?”. Faz sentido! Não é segredo para ninguém que as editoras estão mais preocupadas com o dinheiro do que com a qualidade editorial, ainda que essa ainda tenha uma parcela de importância frente à concorrência.
    Contamos com o que então, o bom senso de quem publica seus próprios e-books? Parece que sim. Mas, ao contrário do que se possa imaginar com seu irmão físico, aquele também necessita do bom senso que transferimos – na verdade todo autor deseja essa transferência – para o editor.
    Longe de querer afirmar qual o melhor formato, só entendo que há uma possibilidade aberta aos Escritores. Há custos ainda assim para o mesmo (revisão, por exemplo), mas talvez compense e não o deixe na mão de um mercado que cada vez mais se torna obscuro e anda inegavelmente trocando a qualidade pela quantidade.

    1. Realmente, o problema já existe nos livros impressos, também. É provável que, sendo assim, as editoras possam ainda mais poder separar o melhor do pior, porque não terão mais que atender às demandas de impressos. Isso confere? Ah, e veja nosso post atual sobre a resposta de um autor independente de sucesso.

  2. Sou escritora e acredito que a produção independente é muito importante para nós, autores. Obviamente vai ser rechaçada pelas editoras, que não querem concorrência. Querem mesmo é continuar a manipular e controlar o mercado com essa conversa de bom conteúdo… ainda mais hoje em dia que bom conteúdo é sinônimo de vendas, e vendas não é necessariamente sinônimo de qualidade.

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