Crianças na escola, mas sem cadernos ou livros… apenas iPads

Eduardo Melo (Simplíssimo) Mercado, Notícias Deixe um comentário

É a novidade prometida ano passado na Holanda – e que se tornará realidade daqui pouco menos de um mês, segundo reportam vários sites e a revista alemã Der Spiegel. Serão onze escolas de uma rede apelidada (claro) de “Steve Jobs schools” (isto não é pegadinha – a notícia é real).

A previsão é que cerca de mil crianças, entre 4 e 12 anos, frequentem as novas escolas. Haverá um turno obrigatório, com presença do professor, das 10h30 às 15h. Em outros horários, a frequência será livre – a escola ficará aberta das 7h30 às 18h30 e a criança poderá permanecer quando quiser. A escola só ficará fechada nos feriados de Ano Novo e Natal – no resto do tempo, permanecerá aberta. Os iPads poderão ser utilizados na casa dos estudantes, de modo que o “horário de aula” poderá acontecer a qualquer momento.

As escolas não terão quadros, giz de cera ou salas de aula formais. Não terá professores ensinando na parte da frente da classe (salvo algumas exceções), planos de aula, mapas de assentos, dias escolares fixos… os professores permanecerão presentes, mas ao invés de compartilhar conhecimento, serão algo como “incentivador do conhecimento” (learning coaches). As habilidades principais a serem desenvolvidas serão aritmética, leitura e compreensão de textos, exclusivamente através de aplicativos de aprendizagem fornecidos via iPad. O currículo de cada estudante será decidido coletivamente pelo próprio estudante, os professores e seus pais, a cada seis semanas. Outras atividades além do iPad em si, incluirão momentos de atividades físicas, desenho, entre outras abordagens lúdicas.

O idealizador do modelo de ensino, Maurice de Hond, acredita que o número de escolas adotando o modelo deverá saltar para 40, no ano que vem. As análises que pululam pela rede, oscilam entre o entusiasmo e a rejeição ao novo modelo. O blog brasileiro “Pensar e Causar” vê a questão positivamente:

Esta ação significa não apenas a adoção radical de instrumentos de tecnologia, especificamente o IPad neste caso, como base do trabalho educacional, mas a modificação da própria estrutura operacional da escola. A produção escrita de textos, por exemplo, fica em segundo plano, privilegiando-se a leitura e a escrita por meio dos tablets da Apple. Conteúdos áridos e complexos de matemática e ciências serão ensejados juntamente aos alunos por meio de jogos educativos e atividades como exercícios utilizando multimídias para facilitar a compreensão, estimular a curiosidade e servir como “degraus” para novos saberes sequenciados de forma lógica. O acompanhamento pelos educadores e pelas famílias será rápido tendo em vista que os dados de utilização dos recursos ficam registrados no sistema e alimentam a base de dados (o Big Data) sobre cada aluno em particular, as turmas específicas e cada escola.

Em compensação, Joanna Cabot, do blog TeleRead, vê com preocupação o uso exclusivo do iPad e o papel aparentemente secundário dedicado aos professores:

Yes, iPads can do some darned nifty stuff. There is a place for them in education, and it’s foolish to say otherwise. But for goodness sake, they are not the only tool out there, people!

Children learn in so many different ways and they benefit from exposure to more than one medium, more than one mode, more than one experience. Sometimes, you need a teacher. It doesn’t mean the iPad isn’t being all that it can be to say that! Sometimes you need to go on a field trip and see the world in person. Sometimes, you need to touch a toy or manipulate a game. It doesn’t mean that Steve Jobs failed in his Grand Majestic Vision if, for some specific task, there is a better tool than technology!

I have also seen students come alive under the direction of a teacher gifted in a subject for which they are passionate:

 The leader at a conservation facility who guided my junior kindergarten students through a two-hour detailed exploration of a single tree

 The “Drum Fit” leader who taught a rousing music-based gym classic which involved, among other things, drumming with drum sticks on a giant fitness ball

 The pioneer home where a team of staff in full period dress baked Christmas gingerbread with 20 five-year-olds

 And in my own class, the circus unit that ends the junior kindergarten year, culminating in the staging of an actual circus experience that’s run by their grade two reading buddies.

You really think it’s smart to use an iPad to replace all that?

Já pensou o que seria se alguém propusesse um modelo destes, aqui no Brasil?

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