Pirataria

“Não prejudicamos a indústria do livro”, dizem sites de download

da Redação Autores, Ebooks, Notícias 13 Comments

Aqui no REB falamos bastante sobre pirataria, apesar de não deixar que esse assunto tome todas as pautas do dia. No Brasil, a pirataria é um caso à parte. A conhecida “Lei do Gerson” faz com que brotem camelôs por todos os lados, oferecendo filmes que nem chegaram ainda nos cinemas. Na internet também é ruim a situação, com filmes, músicas e livros correndo soltos para quem quiser baixar, com menos de cinco cliques.Acredito que a qualidade do serviço, a qualidade do produto e um preço justo – aliados a uma boa campanha de marketing – podem inibir a pirataria, muito mais do que fechar sites e processar indivíduos.

Pirataria

Esta semana estamos discutindo a pirataria de ebooks no Brasil. Veja também:

Piratas financiam cópias ilegais com doações de leitores
Os 5 ebooks brasileiros mais pirateados em dezembro de 2011
Papo no Twitter: O Que o Levaria a Não Piratear um eBook?

A quem a pirataria mais prejudica?

Entretanto, há que se discutir o que realmente é pirataria e o que é compartilhamento. O que é legal e o que é ilegal. E, dessa forma, ver até onde podem ir as proteções impostas pelas produtoras de conteúdo, que acabam prejudicando mais o cliente, que o pirateador. Deveria ser ilegal o usuário guardar uma cópia de becape de seus produtos comprados? Deveria ser ilegal o usuário, que pagou pelo conteúdo, emprestar um livro digital a sua mãe? É ilegal o direito de ler um livro no aparelho que se bem entender?

São questões delicadas, ainda não propriamente discutidas. Enquanto há um afã pela proteção dos arquivos e punição dos culpados, leitores e clientes ficam sem a liberdade que gostariam para guardar e emprestar o conteúdo, que foi pago de forma justa.

Sem ganhar nada

E o que podemos dizer de pessoas que disponibilizam na internet sites com livros gratuitos, mas que não ganham nada com isso? Disponibilizam os arquivos para outras pessoas baixarem, sem hospedar os arquivos em seus servidores e sem vender nada, sobrevivendo de doações.

Temos aqui dois casos semelhantes e muito interessantes. Os sites ePubr e iOS Books, mantidos por anônimos (preferem não revelar os nomes), mas que prestam uma espécie de “serviço” à sociedade. Como julgar essas pessoas?

Ambos os sites são mantidos com doações de usuários e oferecem centenas de livros em português, em formatos conhecidos, como ePub e MOBI. Nos sites, há inclusive tutoriais ensinando como ler os livros digitais em diversos dispositivos.

O objetivo, de acordo com os responsáveis, é nobre. “O site surge da necessidade que existe hoje, onde uma parcela do público deseja uma coisa e editoras e varejistas estão oferecendo outra. Nosso objetivo é oferecer material inédito ou há muito esgotado com QUALIDADE e de forma GRATUITA. Qualidade essa em falta em muito material disponível para compra hoje.” afirma Exilado, do site ePubr.

Já no caso do iOS Books, mais voltado para os usuários de produtos Apple, busca suprir a falta de uma loja oficial de livros da empresa no Brasil. “Matheus” (nome fictício) explica: “A iBookstore não contém uma variedade de livros em português, e foi a partir disto que veio a idéia de manter um site de downloads para aquelas pessoas que passaram pelo mesmo problema [não achar livros digitais para seus Tablets].”

Nenhum dos dois sites considera trabalhar na ilegalidade, pois não estariam ganhando dinheiro. Consideram que divulgam conteúdo e atuam como utilidade pública. Exilado explica: “Olha, não nos vemos como pessoas que prejudicam a indústria de livros, os chamados “Piratas”, mais sim como divulgadores de conteúdo. Explico: Atingimos uma parcela de pessoas que normalmente não compra eBooks ou mesmo livros físicos, mas ao ter contato com esse conteúdo se interessa e acaba comprando legalmente. Aí, talvez explique-se o porquê de existirmos: oferecemos algo que as editoras/varejistas não fazem por uma estratégia errada de negócios aqui no Brasil. Para o usuário final o que importa é a facilidade de acessar o conteúdo que ele quer, de forma instantânea, coisa que não vemos em nenhumas das lojas que existem no nosso território. Talvez só a Amazon já faça algo parecido.

Os problemas no Brasil

Segundo eles, além do serviço ruim prestado por editoras e livrarias, há também o preço, que no Brasil ainda seria impraticável. “Com relação ao preço ou o uso de DRM, acho que não existe uma solução fechada, pois vejo que o problema é estrutural (modelo de negócios que existe na industria de livros aplicada no mundo virtual) e não uma questão simples de baixar os preços. No caso da DRM, pode parecer um contraditório mas sou a favor dela desde que não complique demais a vida do usuário.” explica Exilado.

Matheus pensa pensa parecido: “A proteção de DRM não é, e nunca foi o problema, até porque até em música existe essa proteção. Os preços, sem dúvida. Já comprei livro digital por R$69, às vezes o livro digital sai mais caro que o livro impresso, quando na verdade deveria ser ao contrário. Fizemos um post de muita polêmica no site, com mais de 50 comentários, onde pedimos a opinião dos leitores sobre os preços. Além disso, muitos livros ainda não possuem versão digital, tornando impossível de ler em um tablet”

Os livros são comprados

Geralmente, quem disponibiliza os livros costuma pegá-los em sites de compartilhamento de arquivos. No caso de livros brasileiros, isso é bem mais difícil e depende da boa vontade de alguém colocar o arquivo no ar. Os sites entrevistados, entretanto, afirmam que adquirem os livros que oferecem, justamente por isso não estariam infringindo leis ou fazendo “algo ruim”.

Exilado afrma que o material disponibilizado no ePubr não é ilegal. “Compramos todo o material disponível no site, através de sebos, sites de editoras e redes varejistas. Por isso temos o sentimento que não estamos ‘fazendo algo ruim’ para os autores e editoras, pois além de divulgar os livros compramos grandes quantidades todos os meses.”

No iOS Books, há inclusive uma campanha de compra coletiva de livros, para que mais pessoas possam ter acesso a conteúdo. Todo mês, uma votação é realizada no site, seguida por uma arrecadação de dinheiro. No final do mês, o livro mais votado é adquirido, digitalizado (ou o DRM é retirado) e colocado no ar. “Em nossa primeira arrecadação, conseguimos mais de R$200, o que nos possibilitou pagar até a sexta edição da compra coletiva de livros. Apesar de ser muito trabalhoso, até agora está funcionando perfeitamente.”

Matheus afirma que o sucesso foi tão grande que foram abertas outras categorias para a compra coletiva, como de jurídicos e didáticos. Essa área também é requisitada no ePubr: “Temos vários e vários pedidos de todas as áreas, mas para ser mais especifico, o material didático (área de medicina, direito, etc) é o mais pedido.” explica Exilado.

Gratuito e de qualidade

Muitos dos livros disponíveis para download “livre” na internet não possuem qualidade. Ou são apenas digitalizações puras dos livros – causando transtornos na hora da leitura – ou são conversões mal feitas de outros arquivos. Infelizmente, no caso dos livros pagos, a situação não é muito diferente. Editoras disponibilizam ainda livros digitais de péssima qualidade, chegando às vezes a serem simplesmente o mesmo PDF enviado à gráfica.

Mas no iOS Books e no ePubr, não pode-se dizer o mesmo. Ambos os sites trabalham em cima dos arquivos, para melhorar sua qualidade na medida do possível. Exilado afirma que seu maior diferencial, hoje, está exatamente na modificação para melhor do material que recebe: “Colocamos capas melhores, consertamos erros, revisamos o material várias vezes e ainda colocamos um material extra para o pessoal conhecer melhor o autor que está lendo. Sempre no sentido de melhorar a experiência de leitura.”

“Antigamente não fazíamos isso, mas hoje sim. Quando um livro é muito esperado, praticamente criamos um outro livro na versão ePub, arrumando os parágrafos, a fonte, os capítulos, as imagens, e etc. Quando é um livro ‘normal’ apenas revisamos o código e colocamos os capítulos.” informa Matheus.

E como foi percebido, o formato preferido é o ePub, e não mais o tradicional PDF. A escolha se justifica, pois segundo Matheus porque “o formato ePub é, na nossa opinião, melhor para ler nos Tablets (ou no PC) que os PDF’s. Ler um livro em PDF nos Tablets nos impede de marcar, mudar fonte, mudar tamanho. O ePub também é um formato em que o livro não fica tão grande – como os PDFs de 50MB – e sua formatação ser bem superior, bem organizada. O ePub é um formato perfeito para, principalmente, os Tablets.”

Exilado também prefere o ePub: “O ePub é, na nossa visão, o melhor formato de leitura disponível hoje, principalmente se você possui um tablet ou smartphone, usado pela maioria dos nossos usuários. O PDF é um formato que brilha muito no computador mas é medíocre nos aparelhos citados acima.”

Simplíssimo“Não prejudicamos a indústria do livro”, dizem sites de download

Comments 13

  1. “Piratas” mais profissionais que muitas editoras. O pior é que não fico surpreso.
    Fantástica a ideia de compra coletiva.
    E agora, o que dizer?

  2. Claro que é pirataria. Mas tem muita coisa boa que deveria ser aprendido com esses dois. Põe preço baixo nesses livros (vou chutar R$ 7,99) e compatibilidade com os leitores mais populares dos tablets/e-readers e acho que as editoras venderiam muito.

    1. Concordo, porém, o que impediria dos pirateiros levar um plano de negócios seguindo esta filosofia para autores e editores? Imagino q não seja do interesse deles compartilhar do risco do negócio junto de quem produziu.

  3. Eu canso de falar a mesma coisa: as livrarias brasileiras querem cobrar caro por um serviço medíocre! Por isso que, mesmo com seus defeitos, eu estou apostando todas as minhas fichas na Amazon.

    Atualmente eu só estou lendo em inglês e tenho amado os serviços da livraria norte-americana, enquanto que, toda vez que vou comprar algum livro para minha esposa nas livrarias brasileiras (ebook em português) me sinto fazendo papel de trouxa, pagando caro por um produto que muitas vezes é mal acabado e sempre mal entregue.

    Ahh, fica a dica: das livrarias que já experimentei (considerando apenas as maiores), a Cultura foi a que mais me agradou no cenário dos eBooks, e a que mais me desapontou foi a Saraiva, que aliás, eu era cliente fiel quando comprava apenas livros impressos. A Saraiva possui o mesmo fluxo de compra de itens físicos e o pior, te obriga a usar o software dela (que é uma porcaria e não roda em Linux) para baixar o livro. Tipo… eu uso Linux e aí???

    1. Eu tenho exatamente este sentimento. Desde q comprei meu kindle, deixei de ler livros em português. A burocracia para comprar é mta, enquanto que na Amazon, vc consegue comprar c/ 1 click e ainda mtas vezes mais barato que a forma impressa.
      Esse semestre na faculdade (de ADM) precisei comprar um livro que será usado durante as aulas como bibliografia. Aqui no Brasil encontro apenas versão impressa e por quase R$ 70,00, nos lugares mais baratos. Na Amazon, comprei-o por R$ 23 (já c/ o IOF do cartao de crédito incluso).
      Esses exemplos que me fazem optar pela Amazon quase sempre. Pq as livrarias nacionais além de terem pouca variedade de títulos, os preços dos ebooks são muito elevados.

  4. Tambem não acho que prejudica, pois os preços as vezes são mais caros que o livro físico. Se eu leio um bom livro, eu compro o livro físico só para ter. Mas com o serviço e preço, acho que estão fazendo é um favor.

  5. Pingback: Ganhar Com o Dinheiro Dos Outros é Muito Fácil… mas Ainda não Aprendi como ! | Download eBooks para Android, iPhone, iPod, iPad, Kindle, Symbiam, Blackberry, WP7

  6. Eu nunca fui a favor da pirataria, mas qual a diferença de eu comprar um livro e emprestar para um amigo? Ele teria que pagar de novo para ler um livro em pdf que tem q dar zoom varias vezes para conseguir ler? A solução mais viavel para isso é como o netflix. paga uma assinatura mensal e barata e pode baixar os livros que quiserem. eu já comprei mais de 150 programas android. eu poderia muito bem baixar o apk de graça, mas como em média cada programa custa 0,99 dolares prefiro pagar. Agora vc pagaria 300 reais para um jogo de xbox que vc paga 3 reais no mercado? Apoio 100% esses sites. façam um serviço barato e de qualidade que compraremos os livros.

  7. Vou falar por experiência própria, como escritora que tem o livro vendido em formato “físico” e que o disponibilizou para download no IOSbooks. No começo, é claro que a possibilidade de distribuição gratuita do livro me assustou, pois na minha cabeça era fim do meu ganho financeiro, que já não é grande coisa (vocês devem ter noção da porcentagem que o escritor leva ao vender um exemplar…). Mas depois de conhecer a fundo o sistema de downloads, percebi que poderia ganhar mais dinheiro disponibilizando o livro para ser baixado gratuitamente do que vendendo nas livrarias.
    E eu ainda tenho um problema extra que dificulta minhas vendas: descaso total na divulgação da obra, falta de um plano de distribuição (resolveram trabalhar com distribuição sob demanda, que é uma tremenda furada) e classificação incorreta do estilo do meu livro (se você for procurá-lo na Saraiva, por exemplo, vai encontrá-lo na seção de Medicina/Sexologia. Meu livro é um romance, uma narrativa fictícia, com personagens… Estando na seção errada, o leitor fica também com uma ideia errada sobre seu conteúdo).
    Outra questão é que quem gosta de ler mesmo, ainda compra livros. Aquele que opta por baixar a versão gratuita, dificilmente iria adquirir o exemplar caso lhe fosse dada esta opção, então não perco o público que já teria, apenas ganho um público novo e lucro em divulgação.
    Hoje ganho muito mais disponibilizando meu livro gratuitamente do que vendendo em livrarias (tanto em divulgação quanto financeiramente).
    Há jeito de ganhar dinheiro com downloads gratuitos, sim, pena que as Editoras ainda se mostrem fechadas a novos formatos de negócio.

    1. Fernanda,

      Interessante sua experiência.
      Não entendi como você “ganha tanto em divulgação quanto financeiramente” disponibilizando na internet. A parte da divulgação eu entendo, e acho que faz sentido.
      Como você ganga financeiramente?

      Abraços,
      Alexandre

  8. Deixe-me contar a verdade sobre esse tal de “Exilado” que copia os ebooks comprados por outros grupos e fala que é lançamento dele. Ele também retira os créditos de quem digitalizou e converteu os livros. Ah, se ele não gosta da capa, ele troca por outra e põe o logotipo dele!! Sem falar num gerenciador de downloads (cheio de spyware/malware) que ele obriga o usuário a baixar e instalar no PC, que sem esse Gerenciador não se consegue baixar nada do site dele. Não confiem nesse cara!!

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