SimplíssimoA Nova Sala de Aula

A Nova Sala de Aula


Por Fábio Ribeiro Mendes

R$ 24.90 - Livro digital, formato ( MB)

Resumo

Este livro é voltado principalmente aos colegas professores. O objetivo é divulgar a possibilidade de realizar aulas segundo uma outra didática, diferente da tradicional exposição: refiro-me ao que tenho chamado de oficinas de estudo. Como poderá ser constatado, talvez com surpresa, podemos, sim, modi!car o modo como ensinamos os conteúdos se mudarmos a lógica, passando a iniciativa aos alunos. Como isso é possível, já que se sabe que nunca estiveram tão desmotivados, é tratado ao longo do livro.

Acredito que cada professor, mesmo que hoje já esteja calejado por anos de trabalho e de frustrações das mais diversas, tenha dentro de si uma chama de esperança. Apenas ela, a esperança, justi!ca a escolha da profissão. Ser professor envolve acreditar no futuro, na renovação, na capacidade das crianças e dos jovens. Pois o que trago aqui é combustível para a esperança que temos dentro de nós.

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Dados do Livro

  • Publicado em 11/04/2019
  • ISBN: 9788565717014
  • Língua: por
  • Páginas: 224
  • Formato:
  • Tamanho: MB

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 Introdução

O mundo de hoje apresenta desafios tão novos e imprevisíveis, que se faz necessário repensar o modo como educamos as futuras gerações. Nossas escolas, e mesmo as universidades, estruturam suas rotinas em resposta a desafios vividos em outras épocas. Se os desafios mudaram, nada mais natural do que modificar a preparação daqueles que os enfrentarão. Que tipo de formação os futuros membros da sociedade devem ter para viver em um mundo de constante mudança e de incerteza? Será que nossas atuais instituições de ensino são capazes de proporcionar tal formação?

A primeira das questões colocadas merece a seguinte resposta: se o futuro é incerto e os desafios se renovam rapidamente, é preciso dar uma formação que leve crianças e jovens a terem um papel ativo na construção do seu corpo de conhecimento, renovando seus saberes continuamente, segundo a necessidade. Assim, acima e além de conteúdos importantes, a Escola deve ensinar habilidades, cultivando a capacidade de iniciativa dos alunos em relação à aquisição, à crítica e até mesmo à produção de conhecimento.

A segunda das questões, sobre a adequação de nossas atuais instituições à promoção de tal formação, parece merecer, pelo menos à primeira vista, uma resposta negativa: apesar do esforço coletivo para encontrar alternativas para reformar a Educação, o que se nota são alunos, professores e pais insatisfeitos. A sensação é, na verdade, de que os alunos estão cada vez mais desmotivados a aprender; os professores, cada vez mais soterrados em demandas diversas, tensos, frustrados; os pais, cada vez mais perdidos, diante da missão de educar para um mundo que não conhecem.

As escolas, isto é fato, funcionam segundo uma lógica válida para outros séculos, quando havia um senso mínimo de segurança sobre a relevância dos conteúdos curriculares como partes da formação adequada dos jovens. Hoje, porém, com a grande renovação tecnológica e o acesso ilimitado à informação, todos percebem que o valor dos conteúdos é relativo e que, assim, uma formação centrada na passagem de conteúdos também é. Sem a confiança absoluta na capacidade das instituições de ensino em fornecer educação adaptada à sua época, elas gradativamente perdem sentido. As aulas expositivas, requisitadas pelo currículo ancorado em conteúdos, cada vez têm menos significado.

O presente livro pretende, de uma forma um tanto pretensiosa, mas embasada na experiência de milhares de estudantes, apresentar uma alternativa à didática utilizada em nossas escolas. Por que uma alternativa à didática? Ora, porque o núcleo do ensino é o modo como os professores instruem seus alunos e, se estes precisam aprender atualmente a como conduzir seu próprio processo de aprendizado, é preciso rever o modo como o professor trabalha em sala de aula. Pretende-se oferecer uma didática oposta à expositiva – mas que ainda assim a comporta –, que confira aos alunos o poder de iniciativa em relação ao aprendizado dos conteúdos curriculares. Defende-se, aqui, uma reforma sutil no cotidiano escolar, de baixo custo e de rápida implementação, mas com reflexos profundos e até mesmo revolucionários, por atingir diretamente a prática docente e a relação professor-aluno. Trata-se da argumentação em prol da adoção de aulas no modelo de oficinas de estudo, ao invés do tradicional modelo expositivo. Tudo ficará mais claro em seu devido tempo.

A forte convicção na necessidade e na possibilidade dessa empreitada vem da experiência de trabalho em escolas das mais diversas realidades – particulares, públicas, de grande, médio e pequeno porte, da periferia e do centro, do interior e da capital – ao longo dos últimos 5 anos. Este trabalho surgiu de uma experiência individual de estudo bem sucedida, quando precisei estudar por conta própria para um vestibular concorrido e tive a felicidade de passar nas primeiras colocações, que ganhou corpo quando foi divulgada para alunos em idade escolar. A chave dessa experiência foi a descoberta de que os vários anos passados na Escola não são suficientes para ensinar os alunos a como estudarem sozinhos, com autonomia: eles se formam convictos de que só podem aprender diante da presença física de um professor. Propus, então, uma prática para instruir esses alunos sobre como fazer para aprender por conta própria, com livros: forneci um conteúdo inédito aos alunos e orientei-os sobre método de estudo, para que eles próprios pudessem experimentar o aprendizado que pode ser obtido com o uso de livros. Para a felicidade de todos, e também surpresa, a proposta recebeu aprovação massiva dos estudantes que, aliviados, agradeciam as instruções e perguntavam “por que só agora me ensinaram como estudar?”. Assim surgiram as oficinas de estudo.

Os resultados altamente positivos das aulas no modo de oficina são tão amplos que permitem a esperança na possibilidade concreta da tão sonhada revolução na Educação. Dentre esses resultados, estão o maior foco dos alunos, a possibilidade de o professor personalizar seu atendimento, maior velocidade e eficiência das aulas, maior gama de instrumentos avaliativos, postura cooperativa entre professores e alunos e estímulo à iniciativa. O maior dentre todos os resultados, porém, é o resgate do significado do trabalho realizado em sala de aula, já que os alunos identificam imediatamente que estão cultivando uma habilidade fundamental para viver no mundo que exige formação, adaptação e aprendizado constante. Os conteúdos se tornam meios para o desenvolvimento desta habilidade essencial: a autonomia no aprendizado.

Para que a defesa da adoção das oficinas de estudo seja plenamente justificada, são requisitados dois movimentos. O primeiro se resume ao estabelecimento de uma descrição minimamente justa do desafio enfrentado hoje na área da Educação. O segundo movimento, que se segue ao primeiro, é a defesa propriamente dita das oficinas de estudo como a resposta adequada a esse desafio. São essas, portanto, as partes que compõem esta obra.

A primeira parte do livro trata do desafio da Educação. O Capítulo 1 possui o objetivo de descrever minimamente o quadro complexo desse desafio. As perspectivas de professores, de alunos, de pais, de escolas, do Governo e da sociedade civil são consideradas segundo seus argumentos, o que é fundamental para começar a empreitada de um ponto de vista mais amplo, evitando o risco de desenvolver soluções parciais, que comprometeriam sua possibilidade de realização.

O segundo Capítulo considera, então, um pano de fundo comum a todas as perspectivas: o fato de viver-se, hoje, em um mundo de altíssimo desenvolvimento tecnológico e acesso massificado à informação, que provocam, somados, grandes re#exos no mercado de trabalho. Constata-se que, de fato, a inserção em tal realidade depende da capacidade de aprendizado dos cidadãos e dos trabalhadores, mais do que a quantidade de conteúdos sabidos.

O terceiro Capítulo seguinte trata das instituições de ensino, sua lógica de funcionamento e os motivos que as tornam incapazes, no formato atual, de dar conta do desafio levantado. Chega-se ao ponto em que o desenvolvimento da autonomia no aprendizado é identificado como o horizonte para a Educação no século XXI.

O Capítulo 4, o último da primeira parte, traz uma base teórica mínima sobre a relação entre autonomia e aprendizado, quando se observa ser a autonomia a capacidade do ser humano de agir segundo regras que ele mesmo adota, sendo esse o exercício pleno de sua liberdade, capaz de realizá-lo. A autonomia no campo do aprendizado surge como possível de ser cultivada em sala de aula se os professores puderem proporcionar as etapas necessárias ao seu desenvolvimento. As oficinas de estudo seriam, assim, o modo de trabalhar que proporciona esse desenvolvimento.

A segunda parte do livro apresenta a defesa das oficinas de estudo como o modo de trazer aos alunos a nova sala de aula. Inicia-se, no Capítulo 5, por uma demonstração da falência das aulas expositivas como um meio adequado de estimular a autonomia no aprendizado. Após, no Capítulo 6, as oficinas de estudo são apresentadas em suas cores, em contraste com a aula tradicional. São trazidas à tona suas vantagens e chega-se à conclusão de que, no pior dos casos, as oficinas servem como introdução às aulas expositivas a partir dos questionamentos (ou seja, da atividade dos alunos).

O próximo passo, já no sétimo capítulo, é a exposição do método de estudo que serve de base para as oficinas: o Método das 4 Etapas. Em seguida, nos Capítulos 8, 9 e 10, o tema é a técnica para a orientação dos alunos nas oficinas, ou seja, como instruí-los a estudar por conta própria um material a partir do método de estudo já referido.

Chega-se, então, ao modo como as oficinas de estudo se relacionam com o cotidiano escolar, com a exigência de cumprir um currículo, com a existência de projetos interdisciplinares, com as possibilidades de avaliação e com o incentivo à pesquisa dentro da escola, pela Iniciação Científica.

Finalmente, o livro culmina com a descrição de como as oficinas de estudo podem ser instrumentos para efetivamente realizar uma revolução na Educação, quando se discute que tipo de revolução deve ser essa, quais seriam seus passos e, é claro, seus resultados.

O fato é que uma nova era se inaugura com desafios ainda nebulosos, mas que deverão ser enfrentados. Quanto maior for o número de pessoas capazes de individualmente buscar conhecimento e propor soluções, maiores serão as chances de sucesso coletivo. Assim, se todos forem formados com uma educação orientada para o desenvolvimento dessas capacidades, a multiplicação de mentes e corações unidos em torno dos problemas nascentes será capaz de fornecer respostas, sempre que elas forem requisitadas. Este livro é um exercício de reflexão sobre como seria possível agregar interesses e demandas tão fortes na área da Educação. Espero que, acima da adequação deste escrito, fique à mostra a necessidade de escutar as diferentes vozes que compõem este debate.


SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS 8

PREFÁCIO 12

INTRODUÇÃO 17

PARTE I ” O DESAFIO DA EDUCAÇÃO 25

1. O DESAFIO DA EDUCAÇÃO 26

a) A Missão de ensinar 28

b) “Estudar é chatofi” 37

c) Nossas sementes para o futuro 46

d) Educá-los como? Para onde? 52

e) Obrigação de mudança sem consenso 60

2. TECNOLOGIA, INFORMAÇÃO E INCERTEZA 67

a) Tecnologias em espiral 68

b) Informação em massa 72

c) Trabalho para qual futuro? 77

3. INSTITUIÇÕES DE ENSINO: PARA QUÊ? 83

a) Lógica de funcionamento 84

b) Ensino de conteúdos em xeque 89

c) Necessidade da inovação 92

d) Autonomia no horizonte 97

4. AUTONOMIA E APRENDIZADO 101

a) Liberdade 102

b) Autonomia e escolha 105

c) Heteronomia e medo da culpa 108

d) Desenvolvendo a autonomia 112

e) Autonomia em sala de aula 116

PARTE II – A NOVA SALA DE AULA 119

5. MODELO EXPOSITIVO 120

a) Facilidade e domínio do saber 121

b) Problemas insuperáveis 122

b.1) Alunos diferentes, aula-padrão 123

b.2) Cansaço do aluno (caminhada lenta) 124

b.3) Muitos conteúdos e memorização 125

b.4) Desgaste do professor 126

b.5) Professor autoritário 127

b.6) Aula-espetáculo e tecnologias 128

b.7) Papel passivo no aprendizado 130

c) Soluções limitadas 132

d) Didática falida 133

6. MODELO DE OFICINA 136

a) Como é uma “oficina de estudo”? 137

b) Vantagens da oficina 139

b.1) Alunos diferentes, ritmo personalizado 139

b.2) Alunos focados 140

b.3) Atenção aos que precisam 140

b.4) Monitores informais 141

b.5) Resgate da autoridade do professor 142

b.6) Aula menos desgastante 143

b.7) Conteúdos diferentes no mesmo espaço 144

b.8) Maior velocidade e resultados palpáveis 145

b.9) Possibilidade de interação e criatividade 146

b.10) Uso de tecnologias 147

b.11) Ferramentas para estudo em casa 148

b.12) Papel ativo no aprendizado 149

c) Problemas superáveis 149

c.1) Dispersão de alunos 149

c.2) Matérias exatas 150

c.3) Material didático inadequado 152

c.4) Falta de acesso a livros ou a cópias 153

d) No pior dos casos… 153

7. MÉTODO DAS 4 ETAPAS 156

a) Apresentação 157

b) Por que 4 etapas? 159

c) 1ª Etapa: Leitura panorâmica 160

d) 2ª Etapa: Marcação 162

e) 3ª Etapa: Anotações 163

f) 4ª Etapa: Exercícios 166

g) Ordem das etapas 168

h) Cada um tem seu jeito de estudar 169

i) As 4 etapas na Matemática 170

8. ORIENTANDO OFICINAS DE ESTUDO 175

a) Seleção do material 176

b) Preparação da sala e do quadro 177

c) Acompanhando as etapas 179

c.1) Para engrenar (1ª etapa) 180

c.2) Trabalhando o texto (2ª etapa) 181

c.2.1) Selecionar trechos 181

c.2.2) Sublinhar palavras-chave 183

c.3) Fazendo registros (3ª etapa) 184

c.4) Avanço constatado (4ª etapa) 186

d) Desdobramentos 187

9. OFICINAS NO COTIDIANO ESCOLAR 191

a) Dando conta do currículo 192

b) Oficinas, interpretação e redação de textos 193

c) Oficinas e Projetos interdisciplinares 194

d) Oficinas e informática 195

e) Avaliação com base em Oficinas 195

f) Oficinas e pesquisa 197

10. REVOLUÇÃO SEM RUPTURA 200

a) Revolução na Educação 201

b) Oficinas como instrumentos da revolução 205

c) Os passos da revolução 206

d) Revolução para professores 210

e) Revolução para alunos 211

f) Revolução para pais 212

g) Revolução para escola 212

h) Revolução para Governo e sociedade 213

EPÍLOGO 216

REFERÊNCIAS 219

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A Nova Sala de Aula


Por Fábio Ribeiro Mendes

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Resumo

Este livro é voltado principalmente aos colegas professores. O objetivo é divulgar a possibilidade de realizar aulas segundo uma outra didática, diferente da tradicional exposição: refiro-me ao que tenho chamado de oficinas de estudo. Como poderá ser constatado, talvez com surpresa, podemos, sim, modi!car o modo como ensinamos os conteúdos se mudarmos a lógica, passando a iniciativa aos alunos. Como isso é possível, já que se sabe que nunca estiveram tão desmotivados, é tratado ao longo do livro.

Acredito que cada professor, mesmo que hoje já esteja calejado por anos de trabalho e de frustrações das mais diversas, tenha dentro de si uma chama de esperança. Apenas ela, a esperança, justi!ca a escolha da profissão. Ser professor envolve acreditar no futuro, na renovação, na capacidade das crianças e dos jovens. Pois o que trago aqui é combustível para a esperança que temos dentro de nós.

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  • Publicado em 11/04/2019
  • ISBN: 9788565717014
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 Introdução

O mundo de hoje apresenta desafios tão novos e imprevisíveis, que se faz necessário repensar o modo como educamos as futuras gerações. Nossas escolas, e mesmo as universidades, estruturam suas rotinas em resposta a desafios vividos em outras épocas. Se os desafios mudaram, nada mais natural do que modificar a preparação daqueles que os enfrentarão. Que tipo de formação os futuros membros da sociedade devem ter para viver em um mundo de constante mudança e de incerteza? Será que nossas atuais instituições de ensino são capazes de proporcionar tal formação?

A primeira das questões colocadas merece a seguinte resposta: se o futuro é incerto e os desafios se renovam rapidamente, é preciso dar uma formação que leve crianças e jovens a terem um papel ativo na construção do seu corpo de conhecimento, renovando seus saberes continuamente, segundo a necessidade. Assim, acima e além de conteúdos importantes, a Escola deve ensinar habilidades, cultivando a capacidade de iniciativa dos alunos em relação à aquisição, à crítica e até mesmo à produção de conhecimento.

A segunda das questões, sobre a adequação de nossas atuais instituições à promoção de tal formação, parece merecer, pelo menos à primeira vista, uma resposta negativa: apesar do esforço coletivo para encontrar alternativas para reformar a Educação, o que se nota são alunos, professores e pais insatisfeitos. A sensação é, na verdade, de que os alunos estão cada vez mais desmotivados a aprender; os professores, cada vez mais soterrados em demandas diversas, tensos, frustrados; os pais, cada vez mais perdidos, diante da missão de educar para um mundo que não conhecem.

As escolas, isto é fato, funcionam segundo uma lógica válida para outros séculos, quando havia um senso mínimo de segurança sobre a relevância dos conteúdos curriculares como partes da formação adequada dos jovens. Hoje, porém, com a grande renovação tecnológica e o acesso ilimitado à informação, todos percebem que o valor dos conteúdos é relativo e que, assim, uma formação centrada na passagem de conteúdos também é. Sem a confiança absoluta na capacidade das instituições de ensino em fornecer educação adaptada à sua época, elas gradativamente perdem sentido. As aulas expositivas, requisitadas pelo currículo ancorado em conteúdos, cada vez têm menos significado.

O presente livro pretende, de uma forma um tanto pretensiosa, mas embasada na experiência de milhares de estudantes, apresentar uma alternativa à didática utilizada em nossas escolas. Por que uma alternativa à didática? Ora, porque o núcleo do ensino é o modo como os professores instruem seus alunos e, se estes precisam aprender atualmente a como conduzir seu próprio processo de aprendizado, é preciso rever o modo como o professor trabalha em sala de aula. Pretende-se oferecer uma didática oposta à expositiva – mas que ainda assim a comporta –, que confira aos alunos o poder de iniciativa em relação ao aprendizado dos conteúdos curriculares. Defende-se, aqui, uma reforma sutil no cotidiano escolar, de baixo custo e de rápida implementação, mas com reflexos profundos e até mesmo revolucionários, por atingir diretamente a prática docente e a relação professor-aluno. Trata-se da argumentação em prol da adoção de aulas no modelo de oficinas de estudo, ao invés do tradicional modelo expositivo. Tudo ficará mais claro em seu devido tempo.

A forte convicção na necessidade e na possibilidade dessa empreitada vem da experiência de trabalho em escolas das mais diversas realidades – particulares, públicas, de grande, médio e pequeno porte, da periferia e do centro, do interior e da capital – ao longo dos últimos 5 anos. Este trabalho surgiu de uma experiência individual de estudo bem sucedida, quando precisei estudar por conta própria para um vestibular concorrido e tive a felicidade de passar nas primeiras colocações, que ganhou corpo quando foi divulgada para alunos em idade escolar. A chave dessa experiência foi a descoberta de que os vários anos passados na Escola não são suficientes para ensinar os alunos a como estudarem sozinhos, com autonomia: eles se formam convictos de que só podem aprender diante da presença física de um professor. Propus, então, uma prática para instruir esses alunos sobre como fazer para aprender por conta própria, com livros: forneci um conteúdo inédito aos alunos e orientei-os sobre método de estudo, para que eles próprios pudessem experimentar o aprendizado que pode ser obtido com o uso de livros. Para a felicidade de todos, e também surpresa, a proposta recebeu aprovação massiva dos estudantes que, aliviados, agradeciam as instruções e perguntavam “por que só agora me ensinaram como estudar?”. Assim surgiram as oficinas de estudo.

Os resultados altamente positivos das aulas no modo de oficina são tão amplos que permitem a esperança na possibilidade concreta da tão sonhada revolução na Educação. Dentre esses resultados, estão o maior foco dos alunos, a possibilidade de o professor personalizar seu atendimento, maior velocidade e eficiência das aulas, maior gama de instrumentos avaliativos, postura cooperativa entre professores e alunos e estímulo à iniciativa. O maior dentre todos os resultados, porém, é o resgate do significado do trabalho realizado em sala de aula, já que os alunos identificam imediatamente que estão cultivando uma habilidade fundamental para viver no mundo que exige formação, adaptação e aprendizado constante. Os conteúdos se tornam meios para o desenvolvimento desta habilidade essencial: a autonomia no aprendizado.

Para que a defesa da adoção das oficinas de estudo seja plenamente justificada, são requisitados dois movimentos. O primeiro se resume ao estabelecimento de uma descrição minimamente justa do desafio enfrentado hoje na área da Educação. O segundo movimento, que se segue ao primeiro, é a defesa propriamente dita das oficinas de estudo como a resposta adequada a esse desafio. São essas, portanto, as partes que compõem esta obra.

A primeira parte do livro trata do desafio da Educação. O Capítulo 1 possui o objetivo de descrever minimamente o quadro complexo desse desafio. As perspectivas de professores, de alunos, de pais, de escolas, do Governo e da sociedade civil são consideradas segundo seus argumentos, o que é fundamental para começar a empreitada de um ponto de vista mais amplo, evitando o risco de desenvolver soluções parciais, que comprometeriam sua possibilidade de realização.

O segundo Capítulo considera, então, um pano de fundo comum a todas as perspectivas: o fato de viver-se, hoje, em um mundo de altíssimo desenvolvimento tecnológico e acesso massificado à informação, que provocam, somados, grandes re#exos no mercado de trabalho. Constata-se que, de fato, a inserção em tal realidade depende da capacidade de aprendizado dos cidadãos e dos trabalhadores, mais do que a quantidade de conteúdos sabidos.

O terceiro Capítulo seguinte trata das instituições de ensino, sua lógica de funcionamento e os motivos que as tornam incapazes, no formato atual, de dar conta do desafio levantado. Chega-se ao ponto em que o desenvolvimento da autonomia no aprendizado é identificado como o horizonte para a Educação no século XXI.

O Capítulo 4, o último da primeira parte, traz uma base teórica mínima sobre a relação entre autonomia e aprendizado, quando se observa ser a autonomia a capacidade do ser humano de agir segundo regras que ele mesmo adota, sendo esse o exercício pleno de sua liberdade, capaz de realizá-lo. A autonomia no campo do aprendizado surge como possível de ser cultivada em sala de aula se os professores puderem proporcionar as etapas necessárias ao seu desenvolvimento. As oficinas de estudo seriam, assim, o modo de trabalhar que proporciona esse desenvolvimento.

A segunda parte do livro apresenta a defesa das oficinas de estudo como o modo de trazer aos alunos a nova sala de aula. Inicia-se, no Capítulo 5, por uma demonstração da falência das aulas expositivas como um meio adequado de estimular a autonomia no aprendizado. Após, no Capítulo 6, as oficinas de estudo são apresentadas em suas cores, em contraste com a aula tradicional. São trazidas à tona suas vantagens e chega-se à conclusão de que, no pior dos casos, as oficinas servem como introdução às aulas expositivas a partir dos questionamentos (ou seja, da atividade dos alunos).

O próximo passo, já no sétimo capítulo, é a exposição do método de estudo que serve de base para as oficinas: o Método das 4 Etapas. Em seguida, nos Capítulos 8, 9 e 10, o tema é a técnica para a orientação dos alunos nas oficinas, ou seja, como instruí-los a estudar por conta própria um material a partir do método de estudo já referido.

Chega-se, então, ao modo como as oficinas de estudo se relacionam com o cotidiano escolar, com a exigência de cumprir um currículo, com a existência de projetos interdisciplinares, com as possibilidades de avaliação e com o incentivo à pesquisa dentro da escola, pela Iniciação Científica.

Finalmente, o livro culmina com a descrição de como as oficinas de estudo podem ser instrumentos para efetivamente realizar uma revolução na Educação, quando se discute que tipo de revolução deve ser essa, quais seriam seus passos e, é claro, seus resultados.

O fato é que uma nova era se inaugura com desafios ainda nebulosos, mas que deverão ser enfrentados. Quanto maior for o número de pessoas capazes de individualmente buscar conhecimento e propor soluções, maiores serão as chances de sucesso coletivo. Assim, se todos forem formados com uma educação orientada para o desenvolvimento dessas capacidades, a multiplicação de mentes e corações unidos em torno dos problemas nascentes será capaz de fornecer respostas, sempre que elas forem requisitadas. Este livro é um exercício de reflexão sobre como seria possível agregar interesses e demandas tão fortes na área da Educação. Espero que, acima da adequação deste escrito, fique à mostra a necessidade de escutar as diferentes vozes que compõem este debate.


SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS 8

PREFÁCIO 12

INTRODUÇÃO 17

PARTE I ” O DESAFIO DA EDUCAÇÃO 25

1. O DESAFIO DA EDUCAÇÃO 26

a) A Missão de ensinar 28

b) “Estudar é chatofi” 37

c) Nossas sementes para o futuro 46

d) Educá-los como? Para onde? 52

e) Obrigação de mudança sem consenso 60

2. TECNOLOGIA, INFORMAÇÃO E INCERTEZA 67

a) Tecnologias em espiral 68

b) Informação em massa 72

c) Trabalho para qual futuro? 77

3. INSTITUIÇÕES DE ENSINO: PARA QUÊ? 83

a) Lógica de funcionamento 84

b) Ensino de conteúdos em xeque 89

c) Necessidade da inovação 92

d) Autonomia no horizonte 97

4. AUTONOMIA E APRENDIZADO 101

a) Liberdade 102

b) Autonomia e escolha 105

c) Heteronomia e medo da culpa 108

d) Desenvolvendo a autonomia 112

e) Autonomia em sala de aula 116

PARTE II – A NOVA SALA DE AULA 119

5. MODELO EXPOSITIVO 120

a) Facilidade e domínio do saber 121

b) Problemas insuperáveis 122

b.1) Alunos diferentes, aula-padrão 123

b.2) Cansaço do aluno (caminhada lenta) 124

b.3) Muitos conteúdos e memorização 125

b.4) Desgaste do professor 126

b.5) Professor autoritário 127

b.6) Aula-espetáculo e tecnologias 128

b.7) Papel passivo no aprendizado 130

c) Soluções limitadas 132

d) Didática falida 133

6. MODELO DE OFICINA 136

a) Como é uma “oficina de estudo”? 137

b) Vantagens da oficina 139

b.1) Alunos diferentes, ritmo personalizado 139

b.2) Alunos focados 140

b.3) Atenção aos que precisam 140

b.4) Monitores informais 141

b.5) Resgate da autoridade do professor 142

b.6) Aula menos desgastante 143

b.7) Conteúdos diferentes no mesmo espaço 144

b.8) Maior velocidade e resultados palpáveis 145

b.9) Possibilidade de interação e criatividade 146

b.10) Uso de tecnologias 147

b.11) Ferramentas para estudo em casa 148

b.12) Papel ativo no aprendizado 149

c) Problemas superáveis 149

c.1) Dispersão de alunos 149

c.2) Matérias exatas 150

c.3) Material didático inadequado 152

c.4) Falta de acesso a livros ou a cópias 153

d) No pior dos casos… 153

7. MÉTODO DAS 4 ETAPAS 156

a) Apresentação 157

b) Por que 4 etapas? 159

c) 1ª Etapa: Leitura panorâmica 160

d) 2ª Etapa: Marcação 162

e) 3ª Etapa: Anotações 163

f) 4ª Etapa: Exercícios 166

g) Ordem das etapas 168

h) Cada um tem seu jeito de estudar 169

i) As 4 etapas na Matemática 170

8. ORIENTANDO OFICINAS DE ESTUDO 175

a) Seleção do material 176

b) Preparação da sala e do quadro 177

c) Acompanhando as etapas 179

c.1) Para engrenar (1ª etapa) 180

c.2) Trabalhando o texto (2ª etapa) 181

c.2.1) Selecionar trechos 181

c.2.2) Sublinhar palavras-chave 183

c.3) Fazendo registros (3ª etapa) 184

c.4) Avanço constatado (4ª etapa) 186

d) Desdobramentos 187

9. OFICINAS NO COTIDIANO ESCOLAR 191

a) Dando conta do currículo 192

b) Oficinas, interpretação e redação de textos 193

c) Oficinas e Projetos interdisciplinares 194

d) Oficinas e informática 195

e) Avaliação com base em Oficinas 195

f) Oficinas e pesquisa 197

10. REVOLUÇÃO SEM RUPTURA 200

a) Revolução na Educação 201

b) Oficinas como instrumentos da revolução 205

c) Os passos da revolução 206

d) Revolução para professores 210

e) Revolução para alunos 211

f) Revolução para pais 212

g) Revolução para escola 212

h) Revolução para Governo e sociedade 213

EPÍLOGO 216

REFERÊNCIAS 219

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