SimplíssimoA República de Curitiba
9786586249576

R$ 11.83


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eBook A República de Curitiba


E se a história do nosso país tivesse sido diferente? E se a “República de Curitiba” não fosse apenas uma expressão jocosa criada por um ex-presidente amedrontado? Por um líder investigado numa operação da Polícia Federal e julgado numa Vara de Justiça de uma certa comarca paranaense?
Nessa obra ligeira, o escritor Maurício Saraiva, professor de História e autor de livros de Filosofia, descreve uma aventura em ritmo hollywoodiano onde figuras da nossa política atual se confundem com conhecidas personagens históricas. Padre Feijó pode nos lembrar Fernando Henrique Cardoso; várias personagem evocam a figura do Lula e D. Maria, a Louca, nos remete a… vocês sabem quem. No fim, o livro nos convida e pensar nos próximos passos da nossa comédia política.

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Dados do Livro

  • Por Maurício Saraiva
  • ISBN: 9786586249576
  • Língua: por
  • Páginas: 114
  • Formato: ePub

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Mensagem a todos os curitibanos       Aqui é Maurício Saraiva e se você está lendo esta mensagem, você faz parte da Resistência.      Estamos reunindo todos os que descobriram a verdade sobre a Curitiba ou que estão à procura de respostas. Eu mesmo tomei conhecimento destas informações a partir dos originais escritos por um velho amigo dos tempos de escola, pouco antes dele desaparecer. Disse-me que seu texto tinha uma única fonte bibliográfica, obtida numa livraria que foi depois fechada pela Receita Federal brasileira. Escrevo de uma base de operações da Resistência, em Sierra Maestra de Los Órganos, Rio de Janeiro, e despertei há nove dias. Esse meu amigo se chama Armínio Lemos e esta é a sua história.     I.   Armínio deixou o trabalho, naquele sábado, um pouco mais nervoso que de costume. Vida de auxiliar de limpeza é puxada. O jogo seria às seis horas e ele ainda estava em dúvida se iria assistir. Última rodada do primeiro turno e a situação é tensa. Esse campeonato tem sido terrível para o Coxa, que amarga no Z-4 faz tempo. Se tem uma coisa que estraga o humor do Armínio é uma derrota do Coritiba… A viagem do Centro da cidade à Santa Felicidade é rápida. Quando desceu do ônibus, na Via Veneto, ainda eram vinte para as seis. Armínio andou um pouco, indeciso, e entrou pela Rua Castro Alves. “É”, pensou, “Vou à Cantina do Carioca tomar uma… Quem sabe? Vai ser um jogo decisivo”. A Cantina do Carioca nem tem esse nome – sabe que eu nem sei o nome oficial do lugar? – mas os fregueses a chamam assim desde que, faz algum tempo, Seu Antero a comprou, vindo do interior fluminense. Homem sozinho, atarracado, respondão. Armínio já entrou pedindo uma cerveja e indo para a mesa do fundo, perto da sinuca e não muito perto da TV. No primeiro gol que o Coritiba levasse! Era certo que se levantava e ia embora, para nunca mais assistir uma maldita partida de futebol. “Essa coisa de futebol é uma grandíssima perda de tempo, hoje só tem pernas de pau, e a arbitragem é uma vergonha, time paulista é sempre protegido! Eu perco é meu tempo com essas tolices… Juro por Deus, amanhã vou passar a assistir só a Premier League. Aquilo sim!” – Vai beber o quê Armínio? – Me dá a mais gelada. Tá calmo aqui hoje né? – Esse time nessa draga, ninguém se anima. Mas o Coxa venceu o Palestra, quem sabe? – Sei não… – Vai ser jogo duro. Meu Vasco também é só vexame. Nem o Eurico tá dando jeito naquele time. – Então o senhor é vascaíno Seu Antero? Ah, ah, vamos os dois para o sal! Mas como Armínio não pensou nisso? Era claro que aquele português tinha que ser justamente vascaíno. Aquilo não era um bom sinal, “tomara que esse sujeito não me venha de conversas”. Não demorou para que, aos poucos, outros fregueses fossem chegando, ocupando as cadeiras, pedindo suas cervejas, nada muito alvoroçado. Armínio conhece a maioria de vista e os cumprimenta, mas não é de se enturmar muito. Melhor assim, nada mais irritante que piadinha de atleticano péla-saco! O único sujeito com quem Armínio troca mais conversa ali é com Seu Stanislaw, um polaco de seus sessenta anos pra mais que quase sempre é visto naquela cantina, com seu copinho na mão. Seu Stanislaw é gente boa, tem boas histórias da Europa, mas talvez exagere um pouco na bebida. Naquela tarde lá estava ele, em sua mesa de costume, tomando um vinho ordinário. Ao ver Armínio adivinhou logo a angústia de torcedor em situação dramática que o dominava naquele momento, e decidiu provocá-lo: – É, amigo, mais uma rodada de sofrimento? – Hoje não, do Vasco a gente vence. – Mas o jogo é no Rio… sabe que se perderem hoje vocês vão para a lanterna! É jogo da morte! Mas o efeito da galhofa não foi exatamente o que Seu Stanislaw esperava. Ao invés de provocar uma resposta bem humorada, aquele agulhão pareceu produzir uma melancolia fúnebre em seu colega de bar. Armínio só olhou para o lado e fechou a cara, desejando muito um gole de cerveja para aliviar a secura que lhe incendiava a garganta. Seu Stanislaw, como dissemos, é boa gente. Na verdade ele já aguardava uma oportunidade assim, um momento de inquietação, daquela vaga sensação de deslocamento, de não pertencimento ao lugar, algo que todo imigrante como ele conhece bem. Quando Seu Antero trouxe a cerveja de Armínio, a tão desejada cerveja, e a colocou na mesa, no exato instante em que ele iria pegá-la, a mão de Seu Stanislaw o deteve. – Espere só um momento, meu amigo. – Mas o que foi? – Venha à minha mesa e traga essa cerveja, mas não beba antes de me ouvir. Que comportamento inesperado! Será que o velho queria um gole? Qualquer bebedor sabe que é crime grave negar um copo de cerveja a um colega de bar, sendo agravante qualificado se o colega tiver cabelos brancos. Apesar da sede, Armínio sequer titubeou diante daquele pedido. Levantou-se e foi se sentar com Seu Stanislaw. Mas o homem não parecia muito interessado na cerveja. Ele esperou pacientemente que seu amigo se sentasse, pegou a garrafa de cerveja e colocou ao lado da sua garrafa de vinho. Com as duas garrafas diante de Armínio, ele olhou sério para seu colega e depois disse: – Você acredita em destino, Armínio? – Não. – E por que não? – Por que eu não gosto da ideia de não poder controlar a minha vida. – Eu sei exatamente o que quer dizer. Deixe que eu diga por que está aqui. Está aqui porque sabe de uma coisa. Uma coisa que… não sabe explicar. Mas você sente. Você sentiu a vida inteira… Que há alguma coisa errada com o mundo. Você não sabe o que é, mas está ali, como uma farpa em sua mente… deixando-o louco. Foi essa a sensação que o trouxe a mim… Você sabe do que eu estou falando? – …Brasil? – Você quer saber… o que é Brasil?… Brasil está em toda parte. Está a nossa volta. Mesmo agora, neste bar aqui. Você o vê quando olha pela janela, ou quando liga a televisão. Você o sente… quando vai trabalhar… quando vai à igreja, quando paga seus impostos… É o mundo que acredita ser real para que não perceba a verdade. – Que verdade? – Que você é um escravo, Armínio. Como todo mundo aqui você está num cativeiro, numa prisão que não pode ver, sentir ou tocar, uma prisão… para sua mente… infelizmente não se pode explicar o que é Brasil. É preciso que veja por si mesmo. Então, com um gesto, Seu Stanislaw mostrou a Armínio as duas garrafas diante de si, e prosseguiu. – Esta é a sua última chance. Depois disto não haverá retorno. Se tomar a cerveja, fim da história. Vai despertar no final dessa partida de futebol e acreditar no que você quiser. Se tomar o vinho, vai conseguir ver sua verdadeira vida. Armínio hesitou um pouco, respirou, e avançou sua mão sobre o vinho, quando Seu Stanislaw o alertou: – Lembre-se: eu estou oferecendo a verdade, nada mais.

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