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Como perceber e transformar a neurose

Psicoterapia Gestaltista


Por Vera Felicidade de Almeida Campos

R$ 16.50 - Livro digital, formato ePub2 (1.8 MB)

Resumo

Como perceber e transformar a neurose – Psicoterapia Gestaltista aborda o humano, seus processos relacionais, de maneira abrangente, dentro de configurações que não o mutilam, não o reduzem a aspectos orgânicos/cerebrais, sociais e econômicos, ressaltando fundamentalmente a dinâmica psicoterápica. É uma base de resgate do humano, principalmente nas situações nas quais se busca isto: no trabalho psicoterápico.

Neste livro, mais luz foi jogada no conceito de aceitação e suas implicações para o processo psicoterápico. Transformar necessidades em possibilidades relacionais é a grande questão que se coloca para a terapia. Em Psicoterapia Gestaltista, logo que os sintomas são removidos é claramente percebida a estrutura da não aceitação geradora dos mesmos.

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Dados do Livro

  • Publicado em 22/03/2017
  • ISBN: 9788582454411
  • Língua: PT
  • Páginas: 117
  • Formato: ePub2
  • Tamanho: 1.8 MB

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Algumas considerações

Este livro poderia se chamar Psicoterapia Gestaltista Conceituações II pelo fato de completar todas as implicações conceituais criadas e colocadas no meu primeiro livro Psicoterapia Gestaltista Conceituações e também, neste sentido, por tratar das dinâmicas do trabalho realizado por mim na criação da Psicoterapia Gestaltista.

Criei a metodologia necessária à realização da Psicoterapia Gestaltista apoiada nos estudos da Psicologia da Gestalt, nos seus trabalhos e experiências sobre percepção e em suas leis, que impuseram desde 1912, uma conceituação não associacionista, não dualista: percepção não era considerada pelos gestaltistas Koffka, Köhler e Wertheimer como a função responsável pela elaboração das sensações. Apreender esse corte, essa mudança, foi fundamental para minha teoria psicoterápica. Foi um insight que me permitiu dispensar conceitos reducionistas e elementaristas como o de inconsciente, por exemplo.

Quarenta e cinco anos de trabalho quase diário com Psicoterapia Gestaltista me permitiu conhecer, conceituar e explicar as dinâmicas relacionais e suas implicações, neste livro enunciadas. Para mim, vivenciar, trabalhar as dinâmicas relacionais psicológicas à luz de conceitos tais como: perceber é conhecer, pensamento é prolongamento perceptivo, e ainda, todo relacionamento, todo posicionamento é responsável por novos relacionamentos, novos posicionamentos indefinidamente, possibilitou minha abordagem conceitual, afirmando que tudo que ocorre é relacional, isto é, a relação é o que se dá, é o que se coloca para ser estudado, percebido, modificado enquanto vivência e enfoque psicoterápico.

No livro Psicoterapia Gestaltista Conceituações, de 1973, iniciei estabelecendo a síntese entre Psicologia da Gestalt, Dialética (Hegel e Marx) e Fenomenologia enquanto método. Cada vez mais pude ultrapassar esses estruturantes ao atingir a unidade expressa em: perceber é conhecer, o ser é a possibilidade de relacionamento, e assim, a intencionalidade husserliana consequentemente só poderia ser entendida como a relação que configura sujeito e objeto, não mais como constituída pela relação entre sujeito e objeto. Admitir prévios ao processo relacional e reduzi-lo à posicionamentos desconfiguradores de sua dinâmica é estabelecer a priori (Husserl, de tanto evitá-los, os incorporou em sua conceituação de intencionalidade, de consciência). Essas conceituações são fundamentais para apreensão do que é o humano, tanto quanto do que desumaniza, “neurotiza” e desconfigura o humano.

Ao longo destes 45 anos me dediquei principalmente ao trabalho de consultório (atendimento clínico particular) e ao desenvolvimento teórico da psicoterapia, suas decorrências conceituais, suas implicações dinâmicas. Não havia condições para supervisionar grupos ou criar escola. Tive reconhecida minha teoria psicológica – a Psicoterapia Gestaltista -, colocada no currículo do curso de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (desde 1998), mas injunções políticas no Departamento de Psicologia impediram que houvesse a efetivação dos trabalhos acadêmicos, assim como de supervisão e pesquisas amplas na área da percepção e da psicoterapia. Tempos depois, achei válido familiarizar novos psicólogos com as ideias e visões da Psicoterapia Gestaltista e, em 2011, criei um blog – com artigos inéditos semanais – no qual várias questões relacionais, perceptivas, psicológicas são enfocadas (o blog ainda continua).

As principais contribuições da Psicoterapia Gestaltista desenvolvidas neste livro estão na conceituação de que perceber é estar em relação com, e que é este se relacionar, focalizando o comportamento humano, que permite unificar as dicotomias entre orgânico e psicológico, entre organismo e meio. Percebemos graças à nossa estrutura fisiológica orgânica (isomórfica) e por estarmos no mundo (sociedade, cultura) com o outro. Acentuo também que o encontro com o outro é sempre uma transcendência de contingências, de limites e necessidades. Entender o ser humano como estrutura relacional ancorada em necessidades com infinitas possibilidades relacionais, permite compreender a estruturação de medos, apoios, ansiedade, integração etc. Conceitos como posicionamento e vivência alienada podem ser dinamizados, por exemplo, e assim entendermos que vivenciar a rejeição só acontece quando se quebra esse posicionamento da mesma. Sem dinâmica relacional não há percepção da percepção (categorização), não há constatação do que gera bem-estar ou mal-estar.

A questão do pensamento como prolongamento perceptivo tem várias implicações filosóficas. Dizer que o dado perceptivo é o dado relacional, que não está localizado no sujeito, nem no objeto, é totalmente diferente do subjetivismo cartesiano. O homem prolonga suas percepções – pensa – conjectura, reflete, decide, expressa e comunica suas vivências, vence o tempo e espaço escondidos, desconhecidos, vai além de si mesmo. Quando esse processo é convertido e esgotado na sobrevivência, sobram possibilidades que aparecem sob forma de resíduos: depressão, fobia, maldade e crueldade. Para o homem, não basta sobreviver, pois ao se esgotar na sobrevivência, o processo de desumanização se instala. O homem se transforma e é transformado pela percepção de seus próprios limites, da ampliação e superação dos mesmos.

Considerar que a submissão, a desumanização é realizada tanto nas sociedades, quanto nas famílias e nos relacionamentos afetivos, foi importante. O ponto de ligação entre o homem, sua humanidade e o sistema social, familiar e político que o situa é feito por meio da autonomia. Não havendo autonomia surgem cooptação e submissão. Quanto mais regras, mais aprisionamentos. Sem liberdade não há realização de possibilidades. A existência humana se converte em uma busca, uma jornada para realizar responsabilidades, deixar continuadores, estabelecer bons exemplos, bons padrões. Tudo isso é fundamental e necessário, mas não realiza o humano.

Não existe inconsciente, não há instinto, enfim, nada que determine o humano. Afetividade, emoção são estruturadas nas possibilidades relacionais humanas ou nas suas necessidades relacionais. Quando estruturadas nas possibilidades relacionais, o outro, o mundo é o estruturador, quando estruturadas nas necessidades relacionais o orgânico prepondera. Explico o processo de estruturação da identidade-personalidade como resultante do relacionamento com o outro, com o mundo e consigo mesmo, esse relacionamento é perceptivo.

O encontro psicoterápico permite a remoção de sintomas desagradáveis quando se faz perceber os processos de não aceitação. O conceito de relação é fundamental para entendimento dos processos humanos e este conceito – relação – é o que permite unificar as dicotomias entre o indivíduo e o outro, o indivíduo e o mundo, tanto quanto explicar o autorreferenciamento e as distorções perceptivas. Neste livro, mais luz foi jogada no conceito de aceitação e suas implicações para o processo psicoterápico. Transformar necessidades em possibilidades relacionais é a grande questão que se coloca para a terapia. Em Psicoterapia Gestaltista, logo que os sintomas são removidos é claramente percebida a estrutura da não aceitação geradora dos mesmos.

Como perceber e transformar a neurose – Psicoterapia Gestaltista é um novo Psicoterapia Gestaltista Conceituações, abordando o humano, seus processos relacionais da mesma maneira abrangente, dentro de configurações que não o mutilam, não o reduzem a aspectos orgânicos/cerebrais, sociais e econômicos, mas, ressaltando fundamentalmente a dinâmica psicoterápica. É uma base de resgate do humano, principalmente nas situações nas quais se busca isso: no trabalho psicoterápico.

Para transformar a neurose é fundamental entendê-la através de configurações que nos indiquem caminhos de suas estruturações e identidades. Identificar o processo neurótico, o que aliena e desumaniza, é o início do resgate do humano. Espero ter criado referenciais que permitam configuração do humano, possibilitando transformá-lo, resgatá-lo, tirá-lo dos posicionamentos alienantes do que se coloca como neurose: falta de autonomia, de aceitação dos próprios limites, necessidades e possibilidades.

Vera Felicidade de Almeida Campos

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