SimplíssimoComo perceber e transformar a neurose
logos

Como perceber e transformar a neurose

Psicoterapia Gestaltista


Por Vera Felicidade de Almeida Campos

R$ 16.50 - Livro digital, formato ePub2 (1.8 MB)

Resumo

Como perceber e transformar a neurose - Psicoterapia Gestaltista aborda o humano, seus processos relacionais, de maneira abrangente, dentro de configurações que não o mutilam, não o reduzem a aspectos orgânicos/cerebrais, sociais e econômicos, ressaltando fundamentalmente a dinâmica psicoterápica. É uma base de resgate do humano, principalmente nas situações nas quais se busca isto: no trabalho psicoterápico. Neste livro, mais luz foi jogada no conceito de aceitação e suas implicações para o processo psicoterápico. Transformar necessidades em possibilidades relacionais é a grande questão que se coloca para a terapia. Em Psicoterapia Gestaltista, logo que os sintomas são removidos é claramente percebida a estrutura da não aceitação geradora dos mesmos.
Publique seu ebook

Dados do Livro

  • Publicado em 22/03/2017
  • ISBN: 9788582454411
  • Língua: PT
  • Páginas: 117
  • Formato: ePub2
  • Tamanho: 1.8 MB

Como ler um ebook

Para ler no computador, instale um dos programas abaixo:
  • Adobe Digital Editions (Windows e Mac). Gratuito, é o programa mais usado para a leitura no computador.
  • Blue Fire Reader (Windows). Gratuito, tem os mesmos recursos do Adobe Digital Editions.
  • Calibre (Windows, Mac, Linux). Gratuito. Também converte arquivos, de Word para ePub, de ePub para Mobi, PDF, entre outros formatos.
Para tablets e smartphones, existe uma grande variedade de apps para leitura de ebooks. Quais nós recomendamos: Todos estes aplicativos reúnem certas características básicas: permitem aumentar o tamanho da fonte, trocar a cor de fundo da tela (modo noturno), marcar páginas. O iBooks permite consultar o significado de palavras, pois você pode instalar dicionários.
Para tablets e smartphones, existe uma grande variedade de apps para leitura de ebooks. Quais nós recomendamos: Todos estes aplicativos reúnem certas características básicas: permitem aumentar o tamanho da fonte, trocar a cor de fundo da tela (modo noturno), marcar páginas. O iBooks permite consultar o significado de palavras, pois você pode instalar dicionários.
Os ereaders têm telas em tons de cinza (sem cores) e não refletem a luminosidade ambiente, o que para muitas pessoas é bastante importante, para o conforto do leitura, ou para ler em ambientes muito iluminados (praia, piscina, etc). Existem várias opções disponíveis no Brasil, todas muito boas do ponto de vista técnico e bastante semelhantes. Sempre há opções com ou sem internet (para baixar os livros com mais facilidade), com ou sem luz embutida (para leitura noturna). Recomendamos que você faça uma pesquisa nas várias lojas, para encontrar o aparelho que combina melhor com você. Quem tem um Kindle, o mais famoso desses aparelhos, poderá ler nos formatos AZW (livro com proteção da Amazon), mobi, PDF e até em outros, desde que seja feita a conversão do arquivo. Quem adquirir um dos outros aparelhos, poderá ler no formato ePub, e também poderá converter de outros formatos para ePub - usando para isto o programa Calibre. Por expereriência, podemos afirmar com segurança que o ereader mais completo, e mais fácil de usar, certamente é o Kindle. Lembre-se, porém, que você sempre terá de ler seus ebooks usando o aparelho da Amazon, ou seus aplicativos. A Amazon tem apps para todas as plataformas e sistemas imagináveis, o que é vantajoso; porém, não poderá comprar ebooks em outras lojas e colocar no Kindle (você até consegue, mas terá bastante trabalho para fazer isso, o que prende a maior parte dos usuários à Amazon).
  • Kindle, da Amazon - há várias opções, começando geralmente em R$ 299.
  • Lev, da Saraiva - Aparelho muito bom, vale a pena conferir.
  • Kobo, na Livraria Cultura - Os aparelhos também são bons, há diversos modelos.

Comece a ler aqui!


Algumas considerações

Este livro poderia se chamar Psicoterapia Gestaltista Conceituações II pelo fato de completar todas as implicações conceituais criadas e colocadas no meu primeiro livro Psicoterapia Gestaltista Conceituações e também, neste sentido, por tratar das dinâmicas do trabalho realizado por mim na criação da Psicoterapia Gestaltista.

Criei a metodologia necessária à realização da Psicoterapia Gestaltista apoiada nos estudos da Psicologia da Gestalt, nos seus trabalhos e experiências sobre percepção e em suas leis, que impuseram desde 1912, uma conceituação não associacionista, não dualista: percepção não era considerada pelos gestaltistas Koffka, Köhler e Wertheimer como a função responsável pela elaboração das sensações. Apreender esse corte, essa mudança, foi fundamental para minha teoria psicoterápica. Foi um insight que me permitiu dispensar conceitos reducionistas e elementaristas como o de inconsciente, por exemplo.

Quarenta e cinco anos de trabalho quase diário com Psicoterapia Gestaltista me permitiu conhecer, conceituar e explicar as dinâmicas relacionais e suas implicações, neste livro enunciadas. Para mim, vivenciar, trabalhar as dinâmicas relacionais psicológicas à luz de conceitos tais como: perceber é conhecer, pensamento é prolongamento perceptivo, e ainda, todo relacionamento, todo posicionamento é responsável por novos relacionamentos, novos posicionamentos indefinidamente, possibilitou minha abordagem conceitual, afirmando que tudo que ocorre é relacional, isto é, a relação é o que se dá, é o que se coloca para ser estudado, percebido, modificado enquanto vivência e enfoque psicoterápico.

No livro Psicoterapia Gestaltista Conceituações, de 1973, iniciei estabelecendo a síntese entre Psicologia da Gestalt, Dialética (Hegel e Marx) e Fenomenologia enquanto método. Cada vez mais pude ultrapassar esses estruturantes ao atingir a unidade expressa em: perceber é conhecer, o ser é a possibilidade de relacionamento, e assim, a intencionalidade husserliana consequentemente só poderia ser entendida como a relação que configura sujeito e objeto, não mais como constituída pela relação entre sujeito e objeto. Admitir prévios ao processo relacional e reduzi-lo à posicionamentos desconfiguradores de sua dinâmica é estabelecer a priori (Husserl, de tanto evitá-los, os incorporou em sua conceituação de intencionalidade, de consciência). Essas conceituações são fundamentais para apreensão do que é o humano, tanto quanto do que desumaniza, “neurotiza” e desconfigura o humano.

Ao longo destes 45 anos me dediquei principalmente ao trabalho de consultório (atendimento clínico particular) e ao desenvolvimento teórico da psicoterapia, suas decorrências conceituais, suas implicações dinâmicas. Não havia condições para supervisionar grupos ou criar escola. Tive reconhecida minha teoria psicológica – a Psicoterapia Gestaltista -, colocada no currículo do curso de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (desde 1998), mas injunções políticas no Departamento de Psicologia impediram que houvesse a efetivação dos trabalhos acadêmicos, assim como de supervisão e pesquisas amplas na área da percepção e da psicoterapia. Tempos depois, achei válido familiarizar novos psicólogos com as ideias e visões da Psicoterapia Gestaltista e, em 2011, criei um blog – com artigos inéditos semanais – no qual várias questões relacionais, perceptivas, psicológicas são enfocadas (o blog ainda continua).

As principais contribuições da Psicoterapia Gestaltista desenvolvidas neste livro estão na conceituação de que perceber é estar em relação com, e que é este se relacionar, focalizando o comportamento humano, que permite unificar as dicotomias entre orgânico e psicológico, entre organismo e meio. Percebemos graças à nossa estrutura fisiológica orgânica (isomórfica) e por estarmos no mundo (sociedade, cultura) com o outro. Acentuo também que o encontro com o outro é sempre uma transcendência de contingências, de limites e necessidades. Entender o ser humano como estrutura relacional ancorada em necessidades com infinitas possibilidades relacionais, permite compreender a estruturação de medos, apoios, ansiedade, integração etc. Conceitos como posicionamento e vivência alienada podem ser dinamizados, por exemplo, e assim entendermos que vivenciar a rejeição só acontece quando se quebra esse posicionamento da mesma. Sem dinâmica relacional não há percepção da percepção (categorização), não há constatação do que gera bem-estar ou mal-estar.

A questão do pensamento como prolongamento perceptivo tem várias implicações filosóficas. Dizer que o dado perceptivo é o dado relacional, que não está localizado no sujeito, nem no objeto, é totalmente diferente do subjetivismo cartesiano. O homem prolonga suas percepções – pensa – conjectura, reflete, decide, expressa e comunica suas vivências, vence o tempo e espaço escondidos, desconhecidos, vai além de si mesmo. Quando esse processo é convertido e esgotado na sobrevivência, sobram possibilidades que aparecem sob forma de resíduos: depressão, fobia, maldade e crueldade. Para o homem, não basta sobreviver, pois ao se esgotar na sobrevivência, o processo de desumanização se instala. O homem se transforma e é transformado pela percepção de seus próprios limites, da ampliação e superação dos mesmos.

Considerar que a submissão, a desumanização é realizada tanto nas sociedades, quanto nas famílias e nos relacionamentos afetivos, foi importante. O ponto de ligação entre o homem, sua humanidade e o sistema social, familiar e político que o situa é feito por meio da autonomia. Não havendo autonomia surgem cooptação e submissão. Quanto mais regras, mais aprisionamentos. Sem liberdade não há realização de possibilidades. A existência humana se converte em uma busca, uma jornada para realizar responsabilidades, deixar continuadores, estabelecer bons exemplos, bons padrões. Tudo isso é fundamental e necessário, mas não realiza o humano.

Não existe inconsciente, não há instinto, enfim, nada que determine o humano. Afetividade, emoção são estruturadas nas possibilidades relacionais humanas ou nas suas necessidades relacionais. Quando estruturadas nas possibilidades relacionais, o outro, o mundo é o estruturador, quando estruturadas nas necessidades relacionais o orgânico prepondera. Explico o processo de estruturação da identidade-personalidade como resultante do relacionamento com o outro, com o mundo e consigo mesmo, esse relacionamento é perceptivo.

O encontro psicoterápico permite a remoção de sintomas desagradáveis quando se faz perceber os processos de não aceitação. O conceito de relação é fundamental para entendimento dos processos humanos e este conceito – relação – é o que permite unificar as dicotomias entre o indivíduo e o outro, o indivíduo e o mundo, tanto quanto explicar o autorreferenciamento e as distorções perceptivas. Neste livro, mais luz foi jogada no conceito de aceitação e suas implicações para o processo psicoterápico. Transformar necessidades em possibilidades relacionais é a grande questão que se coloca para a terapia. Em Psicoterapia Gestaltista, logo que os sintomas são removidos é claramente percebida a estrutura da não aceitação geradora dos mesmos.

Como perceber e transformar a neurose – Psicoterapia Gestaltista é um novo Psicoterapia Gestaltista Conceituações, abordando o humano, seus processos relacionais da mesma maneira abrangente, dentro de configurações que não o mutilam, não o reduzem a aspectos orgânicos/cerebrais, sociais e econômicos, mas, ressaltando fundamentalmente a dinâmica psicoterápica. É uma base de resgate do humano, principalmente nas situações nas quais se busca isso: no trabalho psicoterápico.

Para transformar a neurose é fundamental entendê-la através de configurações que nos indiquem caminhos de suas estruturações e identidades. Identificar o processo neurótico, o que aliena e desumaniza, é o início do resgate do humano. Espero ter criado referenciais que permitam configuração do humano, possibilitando transformá-lo, resgatá-lo, tirá-lo dos posicionamentos alienantes do que se coloca como neurose: falta de autonomia, de aceitação dos próprios limites, necessidades e possibilidades.

Vera Felicidade de Almeida Campos