SimplíssimoUM MILHÃO DE PASSOS PENSOS

UM MILHÃO DE PASSOS PENSOS

No Picadão de Cuyabá


Por Roberto Buzzo

R$ 10.00 - Livro digital, formato ( MB)

Resumo

Um andarilho que se propõe a sair de Santa Fé do Sul, SP, e ir a pé até Aparecida, SP. 1000 Km. Um milhão de passos, seguindo os traços do Picadão de Cuyabá, caminho de tropas e boiadas do séc.XIX. Anda cerca de 40 km por dia. Se tem hotel, tudo bem, se não tem, dorme no mato, em sua barraca. Enquanto caminha, observa a fauna e a flora que seus olhos alcançam; a topografia e a história; os rios contextualizados em suas bacias hidrográficas; a geografia e o processo de ocupação da região pelo colonizador; a bolha no pé, a hidratação, a alimentação. A passagem pelo território do rei do café. A descoberta do menino escravo Pedro e do menino que depois inventou o avião. A aprendizagem sobre hérnia de disco e nervo ciático.

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Dados do Livro

  • Publicado em 29/08/2018
  • ISBN: 9788562069376
  • Língua: por
  • Páginas: 84
  • Formato:
  • Tamanho: MB

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Besteira, só lá pelo terceiro dia de caminhada é que me dou conta de que minha viagem terá mil quilômetros. Planejo com antecedência o roteiro, mas nunca pensei na distância total. Então, ali pelo terceiro dia de canseira, me encontro a zapear entre o google mapas e a calculadora do smartphone. E descubro, maravilhado, que vou andar mil quilômetros. Porque, convenhamos, é um número bonito de se anunciar. Nem acredito na primeira conta, sabe essa calculadora virtual, você esquece uma parcela ou, ao contrário, a duplica, isso é fácil, e o total dá errado. Refaço com cuidado e bate. Dá coisa de 5 ou 6 quilômetros a mais, diferença menor que qualquer desvio de cálculo. É incrível, e sei que muitos vão duvidar de que esse total não foi planejado. Acho que foi meu olho e minha prática e meu desejo que levaram o planejamento a esse número favorável. Em viagem recente, de bici, cravei 2 mil quilômetros assim também, sem planejar. Porque, sem dúvida, era meu desejo fazer uma viagem a pé, entre o Estado de São Paulo e o sul de Minas Gerais, da ordem de mil quilômetros. Mas podia ser 1.100 ou 900, nunca havia pensado em número tão redondo. Tudo bem, continuo andando e se passam ainda uns dez dias para eu associar a distância total à distância de um passo bem-dado em continhas simples de dividir e multiplicar, passando por pequenas conversões no sistema métrico das grandezas. Um decidido passo meu tem a portentosa magnitude de 1(hum) metro(mais adiante escreverei sobre o tamanho do passo da seriema quando em desabalada carreira). Mil quilômetros é igual a um milhão de metros. Portanto, minha viagem terá um milhão de passos. Fico mais maravilhado ainda com os números. Um milhão de passos! Sem dúvida, essa chamada atrairá muita gente. Habita em mim um publicitário latente… Porém, façam o teste, levem para a praia uma trena — hoje todo mundo tem uma trena, essas fitas metálicas de 3 ou 5 ou 10 metros, engenhosamente enroladas numa caixinha de plástico, com distâncias marcadas em metros e polegadas — e meçam a distância dos próprios passos. Caminhem em três ritmos diferentes: 1) como quem acompanha o cônjuge ao supermercado, 2)como quem passeia no parque olhando as árvores e 3)como quem vai para o ponto de ônibus atrasado para o trabalho. Meçam a distância de um passo típico de cada um dos 3 ritmos, somem os resultados e dividam por 3, para chegar à média. Peguem esse resultado médio e acrescentem dez por cento e terão o que chamo de passo próprio bem-dado e decidido. Vocês verão que um metro é muito até para mim, que tenho as pernas mais compridas do que a média. E quem é que consegue caminhar de forma desbragada e decidida assim, por mil quilômetros e 25 dias consecutivos? Ora, mas o publicitário que me cutuca aqui dentro do meu ser não deixa por menos, ainda que custando portentosas brigas com aquele outro chato, seu companheiro de morada, que exige fidelidade aos fatos e aos números. Enfim, no inesperado desencadeamento final da viagem, esse conflito desaparece num piscar de olhos, deixando ambos de consciência tranquila e satisfeitos, graças a uma simples mudança no complemento da frase tão cara ao publicitário: UM MILHÃO DE PASSOS PENSOS. Aliás, o publicitário acha muito melhor que “Um milhão de passos capengas (ou bem-dados ou decididos)”, porque essa aliteração de pa-pe vem bem a calhar para quem viaja ao som dos próprios passos, e costuma agradar aos ouvidos desses leitores que erram nesses textos e personagens vagabundos… (Vagabundo no sentido do vagabondo italiano ou do flâneur francês). Porque, não tenham dúvidas: foram um milhão de passos concretos e próprios, ora alegres, quase nunca tristes, sempre pacatos mas decididos, embora tronchos por pedras, argilas e areias e outras cartilagens… E pensos, para reforçar o grito de socorro dos passos, que essas viagens nada mais são do que um grito contra a mesmice da vida que se esvai, indiferente ao tempo e às iniquidades. Esse pedido de socorro embutido em passos e pensos faz todo o sentido, como lerão.

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