SimplíssimoEducação ou doutrinação ambiental?
9786580461554

R$ 60




eBook Educação ou doutrinação ambiental?


Educação ou doutrinação ambiental? Para o autor, trata-se de doutrinação. Será educação ambiental quando os estudantes apreenderem a argumentar e contra-argumentar com base nos procedimentos das ciências. O autor apresenta uma análise retórica do consenso latino-americano de educação ambiental cujos critérios são as técnicas argumentativas empregadas pelos autores. Assim, a exposição dos critérios analíticos permitem que os leitores avaliem a pertinência da crítica e apreendam como fazer. No final o autor apresenta uma proposta sumária para a educação ambiental.

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Dados do Livro

  • Por Tarso Mazzotti
  • ISBN: 9786580461554
  • Língua: por
  • Páginas: 94
  • Formato: ePub

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Educação ou doutrinação ambiental? Título estranho, afinal a Educação Ambiental é o ensino dos conceitos da Ecologia, das Ciências Ambientais, portanto se trata de educação, não de doutrinação. A doutrinação se caracteriza pela propaganda de uma causa, de uma ideologia. Afirma-se que doutrinação só pode ser evocada quando se trata de ideologias como a fascista, nazista, estalinista, racista, nunca para o ensino de conceitos científicos, como é o caso da Educação Ambiental.  No entanto, a disjuntiva do título não é arbitrária e expressa um problema: há um consenso ambientalista, assumidamente político, sustentado em uma ideologia naturalista que adapta os conceitos científicos aos seus quadros conceituais e orienta a Educação Ambiental. Assim, a Educação Ambiental tem por meta a conquista dos alunos para a causa ambiental, desenvolvendo o que se denomina “consciência ambiental”. Nos livros didáticos, nos exames extraescolares, nas comemorações do dia da árvore, da água, do índio e assim por diante, os discursos enfatizam a “consciência ambiental” ou “ecológica” como uma qualidade superior da consciência cujo inverso é a consciência comum, o senso comum, o qual não apresenta as qualidades superiores da dita “consciência ambiental”. Os meios de comunicação repercutem as campanhas dos ambientalistas, apoiam as suas causas. A indústria e o comércio procuram ativamente agregar um “selo de qualidade ambiental” em seus produtos e marcas para persuadir os consumidores quanto a superioridade das suas mercadorias. Afirma-se que este ou aquele alimento ou bebida é melhor por ser natural…  Por essa via, os fitoterápicos são superiores aos fármacos produzidos por meio das sínteses químicas; assim como o uso do própolis, um antibiótico de largo espectro, é considerado melhor do que os produzidos pela indústria. Nos rótulos lê-se “sem produtos químicos”, portanto não existem, o que é irrelevante, uma vez que “todos entendem”: são substâncias químicas prejudiciais à saúde humana. De fato, muitos consideram que a ciência Química é responsável pela poluição, pela deterioração da natureza, pelos medicamentos agressivos, sendo preferível os fitoterápicos que “não têm química”. As ciências e as técnicas modernas são caracterizadas, desde a década de 1960, como cânceres do Planeta (ver, por exemplo, Lévy-Leblond e Jaubert, 1975), um mal a ser extirpado para permitir o desenvolvimento da consciência ecológica ou ambiental. Essa consciência se instaura por meio da agitação e propaganda ou doutrinação, pela conquista dos corações e mentes das pessoas.  Agitação e propaganda A agitação e propaganda visam obter a adesão de parte da população aos ideais políticos de um grupo inicialmente minoritários. No início do século XX surgiram grupos políticos que alcançaram grande influência popular graças aos seus procedimentos de agitação e propaganda. Mas esses modos de fazer não são exclusividades dessas organizações, uma vez que muito antes grupos religiosos os utilizam. A agitação tem por objetivo incitar as pessoas a agirem em uma direção utilizando palavras e atos extremamente concisos, como são os slogans ou as palavras de ordem. A propaganda é um trabalho de persuasão quase pessoa a pessoa, mais demorado, pelo qual a doutrina do grupo político é difundida e justificada, a qual sustenta as suas palavras de ordem ou slogans.  Doutrinação, a outra face da educação? A doutrinação seria outra face da educação? Afinal os seus procedimentos são similares, em ambos os casos se procura persuadir os estudantes a aderirem a uma concepção de mundo, a uma doutrina. Um propagandista age tal como um professor: ensina a doutrina que defende e incita a fazer o que foi aprendido. Se a educação é política, como se tem dito, então não há diferença entre doutrinação e educação.  A distinção entre doutrinação e educação é eminentemente prática. Trata-se da atitude, da tomada de posição acerca do próprio da humanidade: se os homens são meios ou instrumentos para a realização de uma política, então as ações de persuasão serão doutrinárias, serão de propaganda, não de educação. Isso ficou explícito no começo do século XX com a ascensão dos ideários políticos leninista, fascista, nazista. Na Itália, Alemanha, União Soviética, Portugal, Espanha, no Brasil muitas escolas foram transformadas em centros de propaganda, reforçando as ações políticas dos militantes daquelas ideologias, bem como do corporativismo católico aclimatado em nosso país (Sousa, 2006). A revisão histórica desses acontecimentos trágicos levou, nas décadas de 1950 e 1960, à distinção entre doutrinação e educação, esclarecendo que a subordinação do ensino a uma ideologia reduz os estudantes à condição de meios para fins políticos. Esse tema reapareceu recentemente no Brasil, nos anos 2010, com o movimento “escola sem partido que pretende expulsar os professores que defendam doutrinas opostas às dos membros daquele movimento. Os membros da “escola sem partido” afirmam que os outros são doutrinadores, por certo eles mesmos se consideram os verdadeiros educadores. Isso nos conduz a procurar explicitar o significado consensual de doutrinação em relação com a educação. Qual a principal característica da doutrinação?  A doutrinação faz dos alunos os meios ou instrumentos para a realização de uma ideologia, enquanto na ação educativa os alunos são fins em si mesmos. A educação serve à pessoa, é liberal, ou seja, o aluno não é formado para ser servil, para ser útil para alguma ideologia ou aos seus partidos. Reboul (1980, p. XV) apresenta a seguinte comparação entre educação e doutrinação: […] o ensino verdadeiro tem por fim, qualquer que seja o seu conteúdo, formar seres adultos; seres capazes de assumirem as suas responsabilidades e manterem os seus compromissos, pensarem por si mesmos, respeitarem os fatos, ainda quando contrários às suas vontades, e ouvir os outros, ainda quando os contradigam. Todo ensino que se afasta desse fim me parece contra ensino. A educação ambiental seria doutrinária?  Considerando que os conceitos produzidos pelas Ciências Ambientais são adaptados aos interesses dos ambientalistas, então é doutrinação. Isto porque não auxiliam os estudantes a tomarem para si os instrumentos conceituais necessários para apreenderem as dinâmicas ambientais, para pensarem os argumentos, sopesarem as evidências, dominarem os métodos de análise dos argumentos e os da observação controlada desenvolvidos nas Ciências Ambientais. De fato, os ambientalistas não reconhecem o valor dessa proposta de educação científica. Os ambientalistas afirmam que a urgência requer a cooptação, para o que lançam mão de todos os meios de persuasão, os quais se encontram organizados na Retórica. Por isso, a nossa análise recorre aos mesmos esquemas utilizados pelos ambientalistas para expor os seus procedimentos, para que o leitor julgue por si os resultados da análise.  Plano do livro Este livro foi composto a partir de trabalhos publicados em diversas épocas e de resultados de pesquisas mais recentes (2012), que resultaram em duas dissertações, sob minha orientação, para obtenção do título de Mestre em Educação. O primeiro capítulo expõe o quadro conceitual que sustenta os procedimentos de análise aqui utilizados, em que os discursos dos ambientalistas são tratados como representações sociais, as quais são adaptações de enunciados científicos ou ideológicos (sabedorias) aos múltiplos públicos, atendendo às suas necessidades e interesses.  No segundo, analiso o que se diz ser a “ética ambientalista”, mostrando que se trata de um discurso em que “o natural” é único critério para o que se deve fazer, alterando a concepção clássica que separa as leis naturais das humanas ou sociais. Mostro que os ambientalistas se apresentam como porta-vozes de um ser sem voz: a Natureza (com ‘n’ maiúsculo), sinônima de Vida (bios), subordinando a humanidade aos seus imperativos declarados pelos ambientalistas. O terceiro e o quarto são dedicados à análise do discurso da sustentabilidade no âmbito de um consenso latino-americano de educação ambiental, mostrando que seus autores apoiam-se nos esquemas conceituais da economia política clássica deslocando a “riqueza das nações” para a da “natureza”.  No quinto são apresentados os resultados de pesquisas acerca das representações produzidas por moradores, lideranças comunitárias, ambientalistas e técnicos envolvidos em duas intervenções territoriais: a construção do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro e as vias expressas para ônibus (BTRs), na cidade do Rio de Janeiro. O objetivo é mostrar que para os ambientalistas os territórios sociais humanos são invisíveis, que o “sócio” do socioambiental é apenas uma palavra que não orienta as suas ações. Por fim, retomo a disjunção educação ou doutrinação ambiental para apresentar os meios para realizar a educação ambiental, que não são diversos de outras formas de educar, uma vez que busca tornar os alunos capazes de argumentar e contra-argumentar com os instrumentos conceituais desenvolvidos há séculos e que orientam o fazer dos cientistas, dos juristas, e necessários às sociedades democráticas.

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