Prêmios literários não preevem espaço para ebooks – arrisco os motivos

Eduardo MeloAtualizado em: Ebooks 3 Comments

O site do Jornal do Commercio traz, esta semana, uma interessante matéria sobre o, digamos assim, “anacronismo” dos principais prêmios literários brasileiros, que não prevêem a possibilidade de inscrição de ebooks.

Nos três mais prestigiados concursos da área no Brasil, as obras digitais ainda não podem competir. O Jabuti, o São Paulo de Literatura e o Portugal Telecom, na edição deste ano, só previam a inscrição de obras impressas, sem espaço e oportunidade para e-books. O Prêmio São Paulo, por exemplo, deixa claro isso no regulamento: só são aceitos romances, em português, de autores vivos e em formato impresso.

O texto gerou uma discussão bem interessante no grupo Amigos dos Editores Digitais (fechado, mas aceita inscrições, no Facebook). Veja uma tela da discussão no final deste texto.

Não é um problema recente. Em 2011, participei da inscrição de um ebook no Prêmio Açorianos, da prefeitura de Porto Alegre. O edital previa a inscrição de obras na categoria “novas mídias”, mas a princípio a inscrição de um ebook foi recusada. Alguns emails depois, a Secretaria de Cultura da época autorizou a inscrição da obra. Se hoje, que os ebooks já fazem parte do dia-a-dia, ainda não há espaço, imagine em 2011!

O Portugal Telecom também aponta a exigência do “modelo impresso” para suas obras. O único que deixa menos claro a questão é o Jabuti, mas, segundo a assessoria de imprensa da premiação, a obra precisa ser inédita em formato impresso para concorrer (ou seja, obras digitais ainda não são consideradas títulos no prelo). “A Comissão Curadora do Jabuti está estudando a inclusão de livros digitais para as próximas edições. Para este ano, de acordo com o regulamento, somente podem participar obras impressas”, explicou a organização do concurso.

Será que os ebooks são deixados de lado por preconceito, falta de interesse? Não acredito nisso. Os principais prêmios literários não aceitam ebooks, provavelmente, mais pela dificuldade de organização e logística, do que por anacronismo.

Se já é complicado organizar um certame com obras impressas, o formato digital adiciona ainda mais complexidades. Os primeiros problemas começariam na parte técnica: como receber os arquivos digitais? Via online, Cds, Pendrives? Quais formatos seriam aceitos? ePub, PDF? Como o arquivo seria distribuído aos jurados? Em mídia física, em aparelhos, online, email 😀 ?? E pensando nos possíveis concorrentes da premiação, certamente haveria a preocupação com a segurança dos arquivos. Como prevenir que cópias não-autorizadas, piratas, dos ebooks, fossem distribuídas? É o mesmo dilema que muitas editoras já enfrentam, na hora de mandar um ebook para avaliação de jornais e publicações. E isso é só o começo…

via Prêmios literários não preevem espaço para e-books – Jornal do Commercio e AED

 

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Sobre o autor

Eduardo Melo

Eduardo Melo é fundador da Simplíssimo e seu diretor-executivo desde 2010. É licenciado em História e Mestre em Teoria da Literatura.

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Comments 3

  1. Boa Tarde, pessoal; boa tarde Eduardo,

    É lamentável, lamentável mesmo. Os e-books já demonstraram sua imensa utilidade não estando no formato físico. A questão, a meu ver, é puramente mercadológica. Premia-se talentos que não auferirão os benefícios do seu talento. O caso é que os e-books são uma classe complexa para ser discutida. São facilmente “pirateáveis” e isso coloca o autor de uma obra em posição ainda pior do que a de um músico, pois o músico ainda fará seus shows. E o autor? Viverá de palestras, onde seus livros forem, algum dia, discutidos?

    Por outro lado, o e-book, quando visto apenas pelo lado dos leitores eletrônicos tipo Kindle, Nook, Kobo, etc. estão apenas no início da jornada. Os livros serão, cada vez mais, interativos. Isso abrirá as portas de um fantástico mundo de conhecimento para as futuras crianças, futuras gerações. Se a língua é a ferramenta do ramancista ou do poeta, o que se dirá dos recursos audiovisuais? O e-book interativo se assemelhará a um ideograma onde a imagem e os recursos tecnológicos disponíveis simplesmente “falam” com ou sem palavras.

    O que dizer de uma obra original escrita exclusivamente para um público com deficiência auditiva ou visual? Isso não pode ser considerado como paraliteratura, visto que esses grupos, minoria ou não, devem ser respeitados tanto quanto pessoas ditas normais.

    Logo, os parâmetros usados nos concursos literários para inscrever os participantes e suas mídias estão totalmente obsoletos.

    É a minha opinião.

    Lucio Castro
    Professor e Tradutor

  2. Pingback: E-books e prêmios literários - os desafios e as perspectivasMaurem Kayna

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