Será o eBook um Fiasco?

16/09/2011
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por da Redação
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Coloco aqui a íntegra da coluna de Ruy Castro, escritor e jornalista, que saiu hoje na Folha:

Nove entre dez mesas de debates na recente Bienal do Livro discutiram, em certo momento, a questão: o ebook – ou o livro digital, ou “as novas mídias”– vai acabar com o livro impresso? Nem a velha pergunta “Quem somos, de onde viemos, para onde vamos?”, nem a formulação de Freud “Afinal, o que querem as mulheres?”, nem o terceiro segredo de Fátima interessou tanto nos últimos cem anos. Parece que não chegaremos a 2012 se alguém não der uma resposta a isto.
Dito assim, tem-se a impressão de que as massas estão se organizando em batalhões e comprando mais e-books do que a indústria editorial está sendo capaz de produzir. Que, nos aviões, ônibus, metrôs, praias e cabeceiras, não se veem mais livros de papel na mão das pessoas, só tablets. E que os ebooks estão disparando nas listas de livros mais vendidos.
Na verdade, não é assim – não no Brasil. As maiores editoras brasileiras, levadas pelo que parecia ser uma tendência incontornável, fizeram enormes investimentos e, de um ano para cá, “disponibilizaram” centenas de títulos nesse formato. E como vão de vendas? Uma supereditora já vendeu 70 exemplares dessas centenas. Não 70 exemplares de cada título, mas 70 no total. E há outras no mesmo caso. Donde inúmeros títulos estão há meses à míngua de um único leitor. Todo mundo fala e quer saber, mas ninguém compra.
Mas, nos EUA, todo mundo está aderindo ao ebook – dirá você. Sim, é o que afirma a Amazon, pai e mãe do brinquedo e principal interessada em que o mundo arrase em e-books. Só faltou combinar com o resto do planeta. Os números que a Amazon apregoa não batem com os dos livreiros brasileiros, que se sentem mais próximos dos números de venda de ebooks na Europa – que também falam de um fiasco.
O ebook é um sucesso. Só não tem leitores, nem compradores.

Essa opinião incompleta de dados se parece muito com a de Scott Turow que publicamos aqui alguns dias atrás. Ruy Castro não entende do assunto, apesar de eu achar que, como ser humano, ele tem todo o direito de dar sua opinião. É certo que aqui no Brasil o mercado do livro digital ainda está uma bagunça, mas ele possui números obsoletos de venda, tanto nacionais quanto internacionais. E de onde ele tirou “enormes investimentos”? Fora a Globo, que deve ter pago caro pelo aplicativo da Narizinho, quem aqui investiu milhões de reais no eBook?

Não, não são apenas 70 ebooks vendidos por uma editora, já temos números maiores do que esse, apesar de ainda não serem realmente grandes. E não, não é só a Amazon que está vendendo bem. Os mercados estão se aquecendo na Europa também, e muitas além da Amazon estão vendendo bem, como a Barnes & Noble, Smashwords, etc.

Vivemos em um mundo em que a tecnologia aumentou muito a velocidade das coisas. Ou todo mundo se prepara logo ou, quando vê, já ficou pra trás. Mesmo o eBook ainda não estando consolidado no Brasil, já é hora de correr atrás.

O negócio mal começou e já têm gente pondo olho gordo em cima.

Para publicar seu ebook ou livro impresso, nas principais livrarias online, conheça o serviço de publicação da Simplíssimo. Desde 2010 a Simplíssimo já comercializou mais de 1 milhão de exemplares, para mais de 1.500 autores e editoras. Veja como funciona.

 

16/09/2011
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por da Redação
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Coloco aqui a íntegra da coluna de Ruy Castro, escritor e jornalista, que saiu hoje na Folha:

Nove entre dez mesas de debates na recente Bienal do Livro discutiram, em certo momento, a questão: o ebook – ou o livro digital, ou “as novas mídias”– vai acabar com o livro impresso? Nem a velha pergunta “Quem somos, de onde viemos, para onde vamos?”, nem a formulação de Freud “Afinal, o que querem as mulheres?”, nem o terceiro segredo de Fátima interessou tanto nos últimos cem anos. Parece que não chegaremos a 2012 se alguém não der uma resposta a isto.
Dito assim, tem-se a impressão de que as massas estão se organizando em batalhões e comprando mais e-books do que a indústria editorial está sendo capaz de produzir. Que, nos aviões, ônibus, metrôs, praias e cabeceiras, não se veem mais livros de papel na mão das pessoas, só tablets. E que os ebooks estão disparando nas listas de livros mais vendidos.
Na verdade, não é assim – não no Brasil. As maiores editoras brasileiras, levadas pelo que parecia ser uma tendência incontornável, fizeram enormes investimentos e, de um ano para cá, “disponibilizaram” centenas de títulos nesse formato. E como vão de vendas? Uma supereditora já vendeu 70 exemplares dessas centenas. Não 70 exemplares de cada título, mas 70 no total. E há outras no mesmo caso. Donde inúmeros títulos estão há meses à míngua de um único leitor. Todo mundo fala e quer saber, mas ninguém compra.
Mas, nos EUA, todo mundo está aderindo ao ebook – dirá você. Sim, é o que afirma a Amazon, pai e mãe do brinquedo e principal interessada em que o mundo arrase em e-books. Só faltou combinar com o resto do planeta. Os números que a Amazon apregoa não batem com os dos livreiros brasileiros, que se sentem mais próximos dos números de venda de ebooks na Europa – que também falam de um fiasco.
O ebook é um sucesso. Só não tem leitores, nem compradores.

Essa opinião incompleta de dados se parece muito com a de Scott Turow que publicamos aqui alguns dias atrás. Ruy Castro não entende do assunto, apesar de eu achar que, como ser humano, ele tem todo o direito de dar sua opinião. É certo que aqui no Brasil o mercado do livro digital ainda está uma bagunça, mas ele possui números obsoletos de venda, tanto nacionais quanto internacionais. E de onde ele tirou “enormes investimentos”? Fora a Globo, que deve ter pago caro pelo aplicativo da Narizinho, quem aqui investiu milhões de reais no eBook?

Não, não são apenas 70 ebooks vendidos por uma editora, já temos números maiores do que esse, apesar de ainda não serem realmente grandes. E não, não é só a Amazon que está vendendo bem. Os mercados estão se aquecendo na Europa também, e muitas além da Amazon estão vendendo bem, como a Barnes & Noble, Smashwords, etc.

Vivemos em um mundo em que a tecnologia aumentou muito a velocidade das coisas. Ou todo mundo se prepara logo ou, quando vê, já ficou pra trás. Mesmo o eBook ainda não estando consolidado no Brasil, já é hora de correr atrás.

O negócio mal começou e já têm gente pondo olho gordo em cima.

Para publicar seu ebook ou livro impresso, nas principais livrarias online, conheça o serviço de publicação da Simplíssimo. Desde 2010 a Simplíssimo já comercializou mais de 1 milhão de exemplares, para mais de 1.500 autores e editoras. Veja como funciona.

 

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