Aletria Entrevista Eduardo Melo Sobre o Mercado de Livros Digitais

da Redação Ebooks, Notícias Deixe um comentário

Reproduzimos aqui a entrevista com Eduardo Melo da Simplíssimo Livros, feita pelo Instituto Cultural Aletria. Confira:

Charles Chaplin foi um desses gênios do mundo. Mas Chaplin resistiu ao máximo o advento do cinema falado. O resultado? Quando Chaplin resolveu se render, era tarde demais. Mesmo tendo produzido uma obra prima, Chaplin já não era mais um dos líderes do cinema. O livro digital é inevitável, assim como o cinema falado era inevitável. Não porque destruíram seus precursores ou por serem a única via. É o processo natural, o mesmo que gerou a escrita, a prensa, o parque gráfico. É a sociedade expandindo seus canais de comunicação. Conversamos com Eduardo Melo, fundador da Simplíssimo Livro e um dos líderes do site Revolução eBook sobre o mercado digital:

Aletria: Quais são os maiores erros que as editoras vêm cometendo ao investirem no mercado do livro digital?

Eduardo Melo: Entre os mais graves e que observo com mais frequência, a falta de controle da qualidade nos arquivos dos eBooks, e o conceito de que um livro digital deve ser “idêntico” à edição impressa, usando as mesmas fontes, diagramação etc. Não são poucas editoras que vendem eBooks com trechos de texto cortados.

Aletria: Quando Gutenberg e sua invenção surgiram, o tipo de literatura produzido era um. Ainda que o tipo móvel não houvesse provocado nenhuma mudança imediata, é com o tipo móvel que surge Cervantes e o Dom Quixote, um símbolo da renovação estética que marcaria a literatura do futuro, quando a prosa das novelas e romances seriam o principal formato da indústria editorial. Na revolução digital, já podemos ver os Cervantes renovando a estética do livro para o mundo digital?

Eduardo Melo: Penso que é muito cedo para fazer esse tipo de análise. A Teoria da Literatura, que se preocupa em categorizar e compartimentar a literatura em modelos e padrões, funciona melhor quando avaliadores e objetos tem várias décadas de distância entre si. Quem tentar fazer esse tipo de avaliação hoje está só especulando.

Aletria: Para as editoras menores, quais as principais vantagens de investir no mercado de livros digitais se comparado com o mercado de livros impressos?

Eduardo Melo: Os custos são menores para se colocar um livro à venda, se ele for digital. As vantagens terminam aí. Estas pequenas editoras precisam se atualizar, em termos de conhecimento e tecnologia, e atualização envolve investimento. Se considerarmos que muitos proprietários ignoram até o básico sobre livros digitais, ainda há uma longa curva de atualização a ser percorrida.

Aletria: Qual tem sido a reação do consumidor em relação ao livro digital? Quais são as principais motivos para reações negativas e quais para reações positivas?

Eduardo Melo: Há várias reclamações, contra preços altos, arquivos mal produzidos e com defeitos, dificuldade para acessar os livros (quando eles são vendidos com “proteção”). Isto sinaliza a ânsia dos consumidores por ler livros digitais. Ninguém quer esperar dias para um livro ser entregue após comprar pela Internet, eu diria que a chance de ler o livro imediatamente após a compra é o que mais satisfaz os consumidores.

Aletria: O Brasil está bem preparado para o Mercado digital? Quais as principais diferenças de pensamento no Brasil das editoras, autores e distribuidores se comparados com o pensamento no exterior, especialmente nas questões levantadas em eventos como Digital Book World Conference?

Eduardo Melo: O Brasil está se preparando. Até meados de 2011, ainda com relutância. De alguns meses para cá, porém, cresceu o interesse e a consciência de que é um processo sem volta, no qual é melhor estar à frente dos outros. Os brasileiros estão mais atrasados em relação aos outros em muitos sentidos, é verdade, mas estão acelerando o passo. É possível que tenham alguma chance de competir com os outros. Daqui bem pouco tempo, o que irá impedir que uma editora inglesa venda livros em português, por exemplo? Nada impedirá. As grandes livrarias se tornam globais, os consumidores também. Amazon, Apple, vendem “produtos” digitais para o mundo inteiro. Faz sentido pensar em mercados segmentados geograficamente? Claro que não. A única coisa que pode limitar o livro digital é a cabeça dos empresários.

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